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Situação complicada na península coreana

A China voltou a alertar ontem que a situação na península coreana é “complicada e sensível” e pediu moderação nos dois lados depois da Coreia do Norte anunciar que pode vir a explodir uma bomba de hidrogénio sobre o Oceano Pacífico.

Líder norte-coreano mantém troca de palavras duras com o Presidente dos Estados Unidos
Fotografia: AFP


O apelo de Pequim veio com a escalada na disputa de palavras entre Donald Trump e o líder norte-coreano, Kim Jong-un.
À margem da Assembleia-Geral da ONU, em Nova Iorque, o ministro norte-coreano dos Negócios Estrangeiros, Ri Yong-ho, disse a jornalistas que Pyongyang pode agora considerar a detonação de uma bomba de hidrogénio fora do seu território.
“A situação na península coreana agora é complicada e sensível”, disse o porta-voz do Ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lu Kang, numa conferência de imprensa em Pequim.
“Todas as partes relevantes devem exercer a moderação em vez de se provocarem”, disse o diplomata chinês.
“Acreditamos que somente se as partes encontrarem um meio termo poderão realmente resolver a questão da Península Coreana e estabelecerem a paz e estabilidade”.
A China pediu reiteradamente negociações de paz, sugerindo que Pyongyang interrompa as suas actividades nucleares e que os EUA, em troca, suspendam os seus exercícios militares na região.
Apelos da Rússia
Apelos à contenção entre Washington e Pyongyang vieram também de Moscovo, com a Presidência russa a declarar-se “profundamente preocupada” com “a escalada das tensões” em torno da Coreia do Norte depois das recentes trocas de “ameaças” entre os líderes norte-americano, Donald Trump, e norte-coreano, Kim Jong-un.
“Moscovo está sem qualquer dúvida profundamente preocupada com a escalada das tensões sobre a península coreana, relacionada com declarações grosseiras e ameaçadoras” entre os dois Presidentes, disse à imprensa o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, que pediu contenção.
A Rússia continua convencida de que “a única solução para o problema norte-coreano é política e diplomática” e que “qualquer outro desenlace pode ter consequências muito graves e mesmo catastróficas”, disse Dmitri Peskov.
Kim Jong-un afirmou que Donald Trump é um homem “mentalmente perturbado” que vai “pagar caro” as ameaças que faz a Pyongyang. Essas declarações foram feitas horas depois de o Presidente norte-americano ter anunciado novas sanções contra a Coreia do Norte. Antes ainda, perante a Assembleia-Geral da ONU, Trump referiu-se a Kim Jong-un como o “homem-foguete” e ameaçou a Coreia do Norte de “destruição total” em caso de se chegar a um conflito bélico.
O primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, também disse que seria inútil iniciar outra ronda de diálogos depois da Coreia do Norte realizar recentemente o seu sexto teste nuclear e ter lançado mísseis que sobrevoaram o Japão. O ministro chinês dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, já havia dito na quinta-feira que a negociação continua a ser a “única alternativa” para travar o programa militar e nuclear da Coreia do Norte, depois de exortar os Estados Unidos e o Japão a retomarem o diálogo com Pyongyang.
“Ainda há esperança de paz e não nos devemos dar por vencidos. A negociação é a única saída e merece todos os esforços”, disse Wang ante a Assembleia-Geral da ONU.
“Pedimos a todas as partes que tenham um papel construtivo na diminuição das tensões. As partes devem estar no caminho certo, cada uma atende as suas legítimas preocupações”, disse.
A China, única nação asiática cujo arsenal nuclear é reconhecido no Tratado de Não Proliferação, advertiu contra o desenvolvimento de armas nucleares .

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