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Sudão: União Africana condena violência e pede regresso "urgente" às negociações

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, condenou ontem a violência desencadeada pelas forças de segurança contra manifestantes, no Sudão, e pediu à junta militar no poder que proteja os civis, avançou agência Lusa.

Presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat
Fotografia: DR

Segundo a plataforma opositora Forças para a Liberdade e Mudança no Sudão, pelo menos 13 pessoas morreram e centenas ficaram feridas durante uma operação militar para dispersar os manifestantes que desde o início de abril estavam acampados em frente ao Quartel-General das Forças Armadas, em Cartum.

"O presidente pede ao Conselho Militar de Transição que proteja os civis de mais agressões", disse a UA, num comunicado divulgado hoje.

Faki Mahamat pediu "uma investigação imediata e transparente" para levar perante a justiça os responsáveis por estas mortes e apelou às partes para que "regressem urgentemente às negociações" para chegar a um "acordo inclusivo" que permita criar uma autoridade civil transitória.

O apelo da UA surge depois de os movimentos opositores no Sudão terem anunciado o corte de “quaisquer contactos políticos” com o Conselho Militar, que governa o país.

Os manifestantes estavam acampados em frente à sede das Forças Armadas desde o início de abril, primeiro para pedir a saída de Omar al-Bashir do poder e, depois da sua queda, para exigir que os generais entreguem o poder a um Governo civil.

O Conselho Militar desmentiu ter dispersado “através da força” a manifestação pacífica. O Governo alemão manifestou também, através do porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros, "profunda preocupação com os mais recentes acontecimentos em Cartum".

"Nada justifica a violência, que deve parar imediatamente. A limpeza violenta da zona ocupada pelos manifestantes coloca em grande risco o processo de passagem dos poderes para um Governo civil", disse Christofer Burger.

A Alemanha reafirmou o seu apoio ao processo de transição liderado pelas Nações Unidas e União Africana e apelou às partes envolvidas para evitarem uma escalada de violência e regressarem à mesa das negociações.

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