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Suicídio de Verónica traz outras notícias

O "Diário de Notícias", publicação portuguesa, divulgou hoje mais duas matérias - uma informativa e outra de opinião - sobre o "vídeo sexual de Verónica", um episódio trágico que faz furor nas redes sociais desde a semana passada, em causa está a morte da cidadã espanhola Verónica.

Verónica trabalhava na Iveco, em Madrid, suicidou-se por alguém ter divulgado um vídeo com imagens íntimas nas redes sociais
Fotografia: DR

O Jornal de Angola - edição online - retomou os textos desde o primeiro, publicado na quinta-feira, e hoje apresenta na íntegra apenas o informativo: "Há um novo suspeito de divulgar vídeo sexual de Verónica" e trechos do artigo de opinião: "Não foi o whatsapp que matou Verónica, desculpem lá", assinado por Fernanda Câncio.

Há um novo suspeito de divulgar vídeo sexual de Verónica

O homem que Verónica mencionou na semana passada quando falou com os recursos humanos da Iveco, em Espanha, para contar que um vídeo sexual seu estava a circular entre os colegas não é o mesmo que se apresentou às autoridades, nos últimos dias, saindo em liberdade sem qualquer medida de coação. Segundo o "El País", há um outro suspeito de ter divulgado o vídeo sexual com os trabalhadores da empresa, também ele ex-namorado da mulher, que acabou por pôr fim à própria vida, no sábado passado, 25 de Maio, por não aguentar a humilhação a que foi sujeita com a partilha das imagens.
Depois de o vídeo onde aparecia em práticas sexuais com um ex-namorado, gravado há cinco anos, ter circulado durante vários dias entre os colegas de trabalho, as imagens acabaram por chegar à cunhada de Verónica e, de seguida, ao marido. Mãe de duas crianças, a mulher, de 32 anos, não aguentou a vergonha e suicidou-se.
Na quinta-feira, um homem apresentou-se no quartel do Instituto Armado de Mejorada del Campo, em Madrid, para prestar declarações voluntariamente. O homem, recorda o "El País", tinha tido um relacionamento com Verónica e estava a ser indicado como o culpado pela difusão do vídeo entre os trabalhadores da empresa através do WhatsApp.
Em declarações às autoridades, o homem garantiu estar inocente, tendo sido libertado ao fim de algumas horas, sem a aplicação de qualquer medida de coação. Sem provas que liguem o homem aos factos, o jornal espanhol diz que as autoridades encontram-se a investigar outro suspeito.
Esse homem, adianta, será aquele que foi mencionado quando Verónica recorreu aos Recursos Humanos da empresa, na semana antes do suicídio.
Segundo alguns órgãos de comunicação social, os responsáveis pelo departamento terão aconselhado a mulher a denunciar o que estava a acontecer, uma vez que podia estar em causa um delito contra a intimidade, mas Verónica terá recusado fazê-lo, por não querer que o assunto fosse ainda mais falado.
De acordo com pessoas próximas do caso, o vídeo que foi partilhado nas últimas semanas em grupos de "200 a 300 funcionários" já tinha sido partilhado há cinco anos. No entanto, contaram alguns funcionários, naquela altura Verónica conseguiu detê-lo.
Desta vez, a mulher perdeu o controlo sobre as imagens, que acabaram por ser amplamente partilhadas e por chegar ao marido, como temia.
Centenas de pessoas reuniram-se, sexta-feira, numa manifestação organizada pelo movimento feminista de Madrid em memória de Verónica e em "favor da verdadeira liberdade sexual das mulheres".

"Não foi o whatsapp que matou Verónica, desculpem lá"
O suicídio de uma mulher cujo vídeo sexual foi partilhado pelos colegas de trabalho está a ser discutido como mais uma perversão das novas tecnologias. Como se o que está em causa não fosse algo antigo como o mundo (o nosso): maldade. E machismo, claro.
A história está em todos os media. É normal: tem tudo para atrair curiosidade, incluindo sexo, morte, "novas tecnologias" e "redes sociais". Daí que tenha sido muito partilhada e comentada, com exclamações de horror, compaixão e desejo de vingança: "Espero que vão todos parar à cadeia."

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