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Surto de ébola na RDC não representa emergência global

A Organização Mundial de Saúde (OMS) considera que o surto de ébola na RDC é um “acontecimento extraordinário” e de elevada preocupação, mas não representa, ainda, uma emergência global.

A propagação do ébola acontece com maior incidência no Norte da República Democrática do Congo
Fotografia: DR

A decisão foi anunciada depois de uma reunião do Comité de Emergência realizada no âmbito do Regulamento Sanitário Internacional (IHR), em Genebra, a terceira desde o início do surto na RDC, em Agosto de 2018.
Ainda assim, alguns especialistas defendem que os critérios para a definição do surto como emergência internacional foram cumpridos há muito tempo.
O surto, o segundo mais mortífero na história provocado pelo vírus do ébola, já matou 1.411 pessoas, de acordo com o Ministério da Saúde congolês, 1.317 dos quais confirmados em laboratório.
Numa conferência de imprensa após o encontro, o presidente do comité, Preben Aavitsland, anunciou que o surto é “uma emergência sanitária na República Democrática do Congo”, mas a situação não cumpre os requisitos para ser considerada uma emergência à escala global. Para que tal aconteça, um surto deve representar um risco para outros países e requer uma resposta coordenada.
Ainda assim, Aavitsland referiu que o comité está “profundamente desapontado” com a falta de fundos alocados para a OMS e os países afectados no sentido de combater o surto.
A propagação do vírus acontece maioritariamente no nordeste da RDC - junto das fronteiras com o Uganda, Rwanda e Sudão do Sul - onde a população local encara com desconfiança uma doença inédita na região e os ataques por grupos rebeldes dificultam a acção humanitária.
Em Abril, numa outra reunião, este organismo considerou que o surto era de “grande preocupação”, mas que estava “moderadamente optimista” na sua contenção dentro de pouco tempo.
Uma especialista em saúde global da Universidade de Georgetown, Alexandra Phelan, considerou que os critérios para considerar o surto congolês como uma emergência global foram cumpridos há muito tempo.
“Dado que continuamos a ver diariamente casos na ordem dos dois dígitos e que não temos uma vigilância adequada, isto indica que o surto é um risco regional persistente”, referiu a especialista, citada pela agência Associated Press.
A especialista considera que a OMS pode estar preocupada com as consequências políticas, financeiras e sociais que tal declaração pode ter junto dos países afectados.
Durante o surto de ébola que afectou a África Ocidental entre 2014 e 2016, a OMS foi fortemente criticada pela demora em decretar a situação como uma emergência global, tendo-o feito apenas aquando da morte de cerca de mil pessoas e após três países terem sido atingidos.
Documentos internos mais tarde divulgados apontavam que a OMS temia que declarar o surto como uma emergência global poderia trazer consequências económicas e sociais à Libéria, Guiné-Conacri e Serra Leoa.

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