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Técnicos nigerianos em Bissau apoiam fim do recenseamento

Victor Carvalho

O Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) anunciou ontem que está em Bissau um grupo de técnicos nigerianos para ajudar a concluir o processo de recenseamento, nomeadamente na configuração do servidor, o que permitirá consolidar os dados e produzir as listas provisórias e os cadernos eleitorais.

Primeiro-ministro Aristides Gomes diz que o recenseamento decorre de forma transparente
Fotografia: DR

Num comunicado emitido para desfazer algumas dúvidas, as autoridades da Guiné-Bissau garantem que todo o trabalho de transferência de competências vai ser feito com a supervisão de quadros do GTAPE e na presença de representantes de todos os partidos políticos.
A transferência de competências para os técnicos do GTAPE tem sido uma das reivindicações feitas por um grupo de formações políticas, incluindo o Partido de Renovação Social (segundo maior no país e com assento no actual Governo), que tem repetidamente denunciado alegadas irregularidades no processo de recenseamento eleitoral.
Inicialmente marcadas para 18 de Novembro, as eleições legislativas têm sido afectadas por sucessivos atrasos no recenseamento eleitoral que obrigaram ao  adiamento, tendo o Presidente José Mário Vaz afirmado que só marca nova data depois de concluído o recenseamento dos eleitores.

Partidos escrevem ao Presidente
Numa carta enviada ontem ao Presidente José Mário Vaz, o PRS e um grupo de partidos da oposição, fazem algumas exigências relativas ao registo eleitoral, nomeadamente o afastamento dos “implicados nas malícias”.
A carta, para lá do PRS, foi subscrita pelo Movimento para a Alternância Democrática (MADEM-G15), União Patriótica Guineense, APU-PDGB (Assembleia do Povo Unido – Partido Democrático da Guiné-Bissau), grupo de 18 partidos congregados, Partido da Convergência Democrática e Partido para a Justiça, Reconciliação e Trabalho.
Aqueles partidos exigem, em primeiro lugar, a efectiva demissão imediata da ministra da Administração Territorial e a consequente no-
meação para aquelas funções de uma figura de reconhecida idoneidade.
Os mesmos partidos exigem também a demissão do responsável pela base de dados do Gabinete Técnico de Apoio ao Processo Eleitoral (GTAPE) e dos demais implicados no que consideram “malícias do processo de re-censeamento e em todo o processo eleitoral.”
 “O Colectivo dos Partidos Políticos subscritores volta a exortar o povo guineense a se manter calmo e confiante e aos cidadãos com idade para aderirem aos postos de recenseamento de modo a que possam ter uma participação activa nas eleições”, refere a carta.
Na mesma carta, os partidos políticos agradecem o apoio da comunidade internacional e afirmam estar empenhados em participar e contribuir para um processo eleitoral inclusivo, credível e aceite por todos.
O Primeiro-Ministro guineense, Aristides Gomes, voltou esta quarta-feira ao Parlamento onde garantiu que o recenseamento eleitoral está a decorrer de forma transpa-rente e que as eleições legislativas serão realizadas de forma justa e livre, refutando suspeitas de vários partidos.
Respondendo às interpelações dos deputados, Aristides Gomes aproveitou esclarecer várias dúvidas sobre o andamento do recenseamento eleitoral e garantir que “tudo decorre dentro da lei.”
O presidente do Parlamento, Cipriano Cassamá, agradeceu o facto de Aristides Gomes ter respondido aos apelos dos deputados e enalteceu a forma como esclareceu as dúvidas, mas pediu que tudo seja feito para que as eleições legislativas “não passem do mês de Janeiro” de 2019.

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