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Theresa May acusa Parlamento de atrasar aprovação do acordo

A Primeira-ministra britânica acusou ontem o Parlamento britânico de “contemplar o próprio umbigo” e de debater o Brexit para “próprio prazer” em vez de aprovar o Acordo que permite ao Governo concentrar-se noutras questões.

Primeira-Ministra britânica faz críticas aos deputados
Fotografia: DR

Ao confirmar que pediu à União Europeia (UE) um adiamento da data de saída do Reino Unido por três meses, até 30 de Junho, Theresa May justificou no Parlamento ser contra uma extensão mais longa porque daria aos deputados mais tempo para continuar a discutir sem tomar uma decisão.
“O resultado de uma longa extensão seria esta Câmara dos Comuns gastar ainda mais horas intermináveis contemplando o seu próprio umbigo na Europa e deixando de abordar as questões que interessam aos nossos eleitores: escolas, hospitais, segurança e emprego”, argumentou May.
A Primeira-ministra afirmou que o Parlamento debateu sobre a Europa para “prazer próprio durante demasiado tempo” e reiterou o apelo aos deputados para aprovarem o Acordo de Saída do Reino Unido da UE, que foi chumbado duas vezes, mas deve ser novamente submetido à votação.
“Está na hora desta Câmara determinar que vai concretizar o Brexit para o povo britânico. Isso é o que o povo britânico merece. Eles merecem melhor do que esta Câmara lhes deu até agora”, vincou a líder conservadora.
O líder da oposição, o trabalhista Jeremy Corbyn, considerou que o comentário “não mostra muito respeito pelo processo democrático” e apontou responsabilidades a Theresa May pela “crise política de grande escala”.
“A incompetência, o fracasso e a intransigência da Primeira-ministra e do seu Governo trouxeram-nos até a este ponto. O Parlamento rejeitou o acordo, rejeitou saída sem acordo. A Primeira-ministra agora não tem (outro) plano”, lamentou. Corbyn disse estar a fazer esforços para romper o impasse, realizando reuniões com líderes e deputados dos outros partidos com representação parlamentar, incluindo o partido Conservador, “para encontrar um compromisso que proteja os empregos e os níveis de vida”.
Durante o debate semanal, Theresa May foi pressionada por deputados eurocépticos e pró-europeus, incluindo a trabalhista Yvette Cooper, que “implorou” à Primeira-ministra para permitir a realização de votos indicativos no Parlamento sobre alternativas ao acordo de saída que identifiquem um consenso.
Já o conservador Peter Boone desafiou a Primeira-ministra a cancelar o pedido de extensão à UE e lembrou que May repetiu “108 vezes” no Parlamento que o país iria sair a 29 de Março, respeitando o resultado do referendo de 2016.
“Se continuar a solicitar uma extensão do artigo 50º, vai estar a trair o povo britânico. Se não o fizer, estará a honrar a sua instrução”, avisou Boone.

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