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Tribunal de apelo em Argel confirma as penas de prisão

O tribunal de apelo de Argel condenou, hoje, Ahmed Ouyahia e Abdelmalek Sellal, dois ex-Primeiros-Ministros da era Bouteflika, respectivamente a 15 e 12 anos de prisão efectiva após um processo sem precedentes por corrupção, anunciou uma fonte judicial.

Ex-Primeiros-Ministros estão a ser acusados de corrupção
Fotografia: DR

Numa decisão paralela, a instância reduziu as penas dirigidas a antigos ministros e empresários argelinos, envolvidos num escândalo da indústria automóvel e acusados de financiamento ilegal da última campanha eleitoral do ex-Presidente Abdelaziz Bouteflika, forçado a demitir-se em Abril de 2019, disseram os advogados de defesa citados pela agência noticiosa AFP.
O tribunal de apelo confirmou as sentenças pronunciadas em 10 de Dezembro contra Ahmed Ouyahia e Abdelmalek Sellal, que integravam o círculo de Bouteflika. “Esta sentença em apelo permanece uma decisão política”, declarou à AFP Mourad Khader, advogada de Sellal. Os dois condenados têm oito dias para recorrer da decisão.
Dois antigos ministros da Indústria, Mahdjoub Bedda e Youcef Yousfi, condenados em primeira instância a dez anos de prisão, viram as penas reduzidas para metade.
Também Ali Haddad, ex-presidente da FCE, a principal organização patronal argelina, empresário e considerado dos principais financiadores das últimas campanhas eleitorais de Bouteflika, viu a pena de prisão reduzida de sete para quatro anos.
Abdelaziz Bouteflika demitiu-se em 2 de Abril de 2019 sob pressão do 'Hirak', o amplo movimento de contestação anti-regime e após anunciar a intenção de se candidatar a um quinto mandato.
Dois outros homens de negócios, Hassen Arbaoui e o antigo vice-presidente da FCE Mohamed Bairi, ambos proprietários de fábricas de montagem de automóveis, foram condenados a penas de quatro e três anos de prisão.
Desde 1 de Março que cerca de 20 personalidades - ex-responsáveis políticos, poderosos empresários e altos funcionários - estavam a ser julgados em apelo.
Outros processos aguardam alguns dos acusados, citados em inquéritos relacionados com alegadas práticas de corrupção que foram desencadeados após o afastamento de Abdelaziz Bouteflika e suspeitos de poderem beneficiar algumas das facções envolvidas na luta pelo poder na Argélia pós-Bouteflika.

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