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Trump apela aos militares que se juntem a Guaidó

O Presidente norte-americano, Donald Trump, apelou aos chefes militares venezuelanos que se juntem ao opositor e Presidente autoproclamado Juan Guaidó e deixem entrar a ajuda humanitária no país.

Além da crise política, a Venezuela está a ser assolada também por problemas humanitários
Fotografia: DR


“Os olhos do mundo in-teiro estão focados em vocês, vocês podem escolher aceitar a oferta generosa de am-nistia do Presidente Guaidó e viverem em paz com os vossos (...). Se não, podem escolher a segunda via: continuar a apoiar Maduro (Pre-
sidente da Venezuela). Neste caso, não vão ter locais para se refugiarem. Não vão ter saída possível. Vão perder tudo”, enfatizou Donald Trump, que discursava em Miami.
Durante a intervenção, Trump disse que “está a chegar um novo dia para a América Latina”, ao procurar congregar apoio entre a maior comunidade venezuelana nos EUA para o líder oposicionista Juan Guaidó.
Ao falar frente às bandeiras dos EUA e Venezuela, Donald Trump afirmou que os norte-americanos apoiam Guaidó. Depois de instar os militares a apoiarem Guaidó, Trump avançou que pretende “uma transição pacífica”, mas, acentuou, “todas as opções estão em aberto.”
Antes, a assessora de im-prensa da Casa Branca, Sarah Sanders, dissera que os dirigentes norte-americanos “sabiam onde os oficiais militares da Venezuela e as suas famílias têm escondido di-nheiro no mundo.”
O sul do estado da Flórida acolhe mais de cem mil venezuelanos e venezuelanos-norte-americanos e é considerado a maior concentração da comunidade nos EUA. Em termos de eleições presidenciais, Trump procurou contrastar as políticas com as dos democratas progressistas, que classificou de “socialistas.”
“O socialismo devastou tanto” a Venezuela “que até as maiores reservas de petróleo do mundo foram insuficientes para manter as luzes ligadas”, disse.
“O socialismo está a morrer e a liberdade, a prosperidade e a democracia estão a renascer” no hemisfério, declarou Trump, que disse esperar que em breve “este se torne o primeiro hemisfério livre em toda a história da Humanidade.”
A presidente do Partido Democrata na Flórida, Terrie Rizzo, criticou Trump, por ter “duas caras em relação à Venezuela”, justificando que “fala sobre combater o Governo de Maduro, mas continua a deportar e deter venezuelanos que fogem da Venezuela.”

Rússia envia 300 toneladas de ajuda humanitária

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, confirmou ontem que a Rússia enviou 300 toneladas de ajuda humanitária que devem ser entregues até hoje.
“Nós recebemos ajuda humanitária todos os dias. Na quarta-feira, 300 toneladas de ajuda humanitária russa serão legalmente entregues no Aeroporto Internacional de Caracas”, afirmou o líder venezuelano num encontro com cientistas.
A Venezuela enfrenta uma profunda crise económica e política. Depois de o líder da oposição, Juan Guaidó, presidente da Assembleia Nacional se ter autoproclamado Presidente interino da República, os Estados Unidos reconheceram-no como Chefe de Estado legítimo e enviaram ajuda ao país pela vizinha Colômbia. Maduro, no entanto, recusou-se a receber os carregamentos, acusando os EUA de utilizarem isso como uma estratégia para derrubar o Governo.
Maduro voltou a rejeitar receber a ajuda humanitária que se encontra na Colômbia, Brasil e no Curaçau, à espera de autorização para entrar na Venezuela.
O chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, já havia advertido, na semana passada, o seu homólogo norte-americano, Mike Pompeo, contra qualquer “recurso à força” na Venezuela.
“Lavrov alertou contra qualquer ingerência nos assuntos internos da Venezuela, incluindo o recurso à força que Washington tem ameaçado em violação do direito internacional.”
Num comunicado, Moscovo já tinha acusado Washington de procurar, com a proposta de resolução sobre a Venezuela que apresentou ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, um pretexto para uma intervenção militar no país. No documento, Moscovo dizia que a proposta apresentada por Washington na ONU procura, de facto, encobrir as provocações com o envio de ajuda humanitária como meio de desestabilizar a situação na Venezuela e até mesmo obter um pretexto para uma intervenção militar directa no país.
Quanto à resolução sobre a Venezuela preparada pela Rússia, Serguei Lavrov sublinhou que o documento pretende “apoiar o diálogo nacional” no país.

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