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Turquia activa o sistema de mísseis antiaéreos russos

A Turquia utilizará os seus mísseis antiaéreos russos apesar das ameaças de sanções norte-americanas, declarou, ontem, um responsável do Ministério da Defesa, dois dias após um encontro entre os Presidentes norte-americano e turco.

Os EUA consideram que os mísseis S-400 não são compatíveis com os dispositivos da OTAN
Fotografia: DR

“Faremos o que temos de fazer e o sistema de mísseis será utilizável. O modo como será utilizado será objecto de uma decisão posterior”, disse Ismail Demir, responsável pela compra de armamento no Ministério da Defesa turco, à emissora CNN Turquia.
“Devemos respeitar o acordo que assinámos e é do interesse do nosso país”, adiantou o porta-voz .
O porta-voz do Presidente turco tinha declarado, na sexta-feira, que não haveria um recuo e que a Turquia iria activar o sistema de mísseis S-400 russo.
Um dia antes, o Presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, disse que o país estava disponível para comprar mísseis antiaéreos norte-americanos Patriot, mas sem renunciar ao sistema de mísseis russo S-400.
Erdogan falava aos “media” turcos durante a viagem de regresso à Turquia, após ter sido recebido, na quarta-feira, em Washington, pelo homólogo norte-americano, Donald Trump.
“Disse a Trump que estávamos prontos para adquirir os Patriot. Mas consideramos que a proposta que consiste na aquisição destes mísseis e renunciar aos S-400 será uma afronta à nossa soberania”, disse Erdogan.
Ancara adquiriu o sistema de mísseis antiaéreos russos S-400, apesar dos protestos da Administração norte-americana, que argumenta que os S-400 não são compatíveis com os dispositivos da OTAN, organização que a Turquia integra desde 1952.
Washington argumenta, ainda que, a aquisição por parte de Ancara do sistema de mísseis de longo alcance russo, cuja primeira entrega ocorreu em Julho, coloca em risco os segredos tecnológicos do avião de combate norte-americano F-35.
A Turquia encomendou mais de 100 aparelhos F-35 e o sector da Defesa turco chegou a investir significativamente neste plano, mas o acordo acabaria por ficar em suspenso, do lado de Washington, após o primeiro fornecimento dos mísseis S-400.
A Casa Branca destacou, na quarta-feira, que era “vital” resolver os problemas suscitados pela compra dos mísseis russos S-400.
Uma lei de 2017 impõe à Administração norte-americana que puna qualquer país que conclua contratos militares “importantes” com um adversário dos Estados Unidos, incluindo a Rússia.

Demissão de presidentes de câmara pró-curdos


Quatro presidentes de câmaras do principal partido de oposição pró-curdo da Turquia foram ontem destituídos, anunciou a agência noticiosa estatal Anadolu.
O autarca de Suruc na província de Sanliurfa e os de três cidades na província de Mardin, no Sudeste de maioria curda da Turquia, foram demitidos das funções, acusados de ligações ao Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), guerrilha activa no país desde 1984.
Ao todo, 24 presidentes de câmara pró-curdos foram demitidos pelo Governo desde as eleições municipais de Março, vencidas pela oposição e, no Sudeste de maioria curda, pelo Partido Democrático dos Povos (HDP), a principal formação pró-curda.
Acusado pelo Presidente Recep Tayyip Erdogan de ligação ao PKK, classificado como “terrorista” por Ancara e pelos aliados ocidentais, o HDP é alvo, desde 2016, de uma forte repressão, com a detenção dos presidentes e deputados.
O HDP foi o único partido no Parlamento que criticou a ofensiva turca, no Nordeste da Síria contra a milícia curda das Unidades de Protecção Popular , considerada “terrorista” por Ancara e aliada do Ocidente no combate ao grupo Estado Islâmico (EI) na região.

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