Mundo

UA cria “task force” para mobilizar apoios externos

Santos Vilola*

O presidente da União Africana, Cyril Ramaphosa, anunciou a criação de uma equipa de trabalho cuja missão é mobilizar apoio internacional aos esforços do continente para enfrentar os desafios económicos que os Estados-membros vão enfrentar em consequência da pandemia da Covid-19.

Fotografia: DR

A equipa continental deve ser integrada pelo ex-ministro sul-africano das Finanças, Trevor Manuel, o ex-gestor do Banco Crédit Suisse Tidjane Thiam, o antigo ministro das Finanças da Nigéria Ngozi Okonjo-Iweala e Donald Kaberuka, que já foi presidente do Banco Africano de Desenvolvimento e ministro das Finanças do Rwanda.
A equipa deve deslocar-se nos próximos dias à sede da União Africana, em Addis Abeba (Etiópia), com a missão de solicitar “apoio rápido e concreto”, prometido pelo G20 (as 20 maiores economias do mundo), União Europeia e instituições financeiras internacionais, segundo o Chefe de Estado sul-africano, em comunicado, citado pela imprensa daquele país.
“À luz do devastador impacto socioeconómico e político da pandemia nos países africanos, essas instituições precisam de apoiar as economias africanas que estão a enfrentar sérios desafios económicos, com um pacote abran- gente de estímulos para África, incluindo dívidas diferidas e pagamentos de juros”, considera o líder da organização continental.
Cyril Ramaphosa disse que “o impacto da pandemia do novo coronavírus é à escala global e isso exige acções internacionais coordenadas para capacitar todos os países a responderem de maneira eficaz, mas principalmente os países em desenvolvimento, que continuam a suportar um fardo histórico de pobreza, desigualdade e subdesenvolvimento.”

Subida vertiginosa
de casos de Covid-19
A África do Sul passou, num só dia (domingo), de 145 a 2.173 casos confirmados de infecção pelo novo coronavírus, anunciou o ministro da Saúde. O número de mortes continua 24 e foram feitos 80.085 testes.
No país onde há cidadãos angolanos a aguardarem pelo apoio do Estado para regressar, a cidade de Joanesburgo (província de Gauteng) é a que regista mais casos de infecção pela Covid-19. São 400 casos na capital económica do país, ao passo que noutra cidade da mesma província, Pretória, estão registados 90 casos confirmados de infecção pela pandemia.
O ministro de Estado e chefe da Casa de Segurança do Presidente da República, Pedro Sebastião, admitiu a possibilidade do Estado resgatar os cidadãos angolanos retidos naquele país.
A África do Sul lidera as estatísticas de infecção da Covid-19 na Comunidade de De- senvolvimento da África Austral (SADC) e, a nível do continente, é o terceiro país mais afectado pela pandemia, depois da Argélia (segundo) e Egipto (primeiro).
A “Nação Arco-íris” tem 2.173 casos confirmados, 25 mortes associadas à Covid-19, recuperados estão 410. O tipo de transmissão é comunitária e não importada. Há 3,6 casos num raio de 100 quilómetros e 0,4 mortes na mesma distância. O país tem uma população de 59,3 milhões de habitantes.
Dados estatísticos do Centro para a Prevenção e Controlo de Doenças da União Africana indicam que até ontem, 13 de Abril, os 52 países do continente afectados pela pandemia tinham o registo de 14.524 casos confirmados, 788 mortes e 2.570 recuperados. Com 2.065 infectados, o Egipto lidera a lista dos países africanos com mais casos e a Argélia com mais mortes (293).

China pode adiar a cobrança
O responsável por uma Organização Não-Governamental que defende o perdão da dívida africana disse, ontem, acreditar que a China vai adiar os pagamentos, mas defendeu alterações na forma como os recursos naturais servem de colateral nos empréstimos de Pequim.
Tim Jones, chefe de Política da Organização Não-Governamental Comité para o Jubileu da Dívida, em declarações à Efe, lembrou que “não ficaria surpreso se, em breve, a China anunciar uma suspensão da moratória no pagamento da dívida para determinados países” em vias de desenvolvimento.
* Com agências

Tempo

Multimédia