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UE revela constrangimentos no acolhimento de refugiados

O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, admitiu contradições na política de imigração e acolhimento de refugiados, que comprometem o valor da União Europeia (UE) no campo da solidariedade.

Políticos são a favor da criação de uma perspectiva de esperança na Europa para que os imigrantes e refugiados sejam bem acolhidos
Fotografia: AFP

Jean-Claude Juncker referiu que a Europa é um lugar de estabilidade social e que, por isso, tem a obrigação de oferecer condições de acolhimento saudáveis àqueles que procuram o “nosso espaço para realizarem os seus sonhos, por estarem impedidos de fazê-lo nos seus países”.
As palavras de Jean-Claude Juncker foram proferidas em virtude de a Alemanha e a Grécia tecerem duras críticas aos demais países-membros da UE, que insistem em impedir a entrada de refugiados nos seus territórios.
A situação na Europa está cada vez mais complicada, segundo a imprensa ocidental, que cita políticos com responsabilidades governamentais que admitem falhas no sistema de assistência social e no acolhimento dos refugiados e enquadramento das minorias.
Os grupos mais fracos estão a passar por uma fase de exclusão, algo que agravou com o tempo a crise financeira e económica. A Europa, segundo os políticos que analisaram o discurso do Estado União de Juncker, precisa de encontrar uma perspectiva para dar esperança aos seus cidadãos, que precisam de um sinal forte de recuperação e crescimento, que possa ser transferido aos imigrantes. Para eles, essa perspectica é fundamental na situação dos refugiados, por ser uma garantia bastante segura.

Banco Mundial

Neste sentido, o Banco Mundial (BM), ao apreciar a situação na Europa, elaborou um relatório onde, além de caracterizar a situação, lança caminhos para atender as minorias e os refugiados. Os técnicos do BM trabalharam com questões como a melhor abordagem para ajudar milhões de pessoas, que foram forçadas a fugir das suas casas e a reconstruír as suas vidas. O BM referiu que este é um momento especial, porque o número de refugiados é o mais elevado desde a II Guerra Mundial, atingindo 65 milhões de pessoas, cerca de 1 por cento da Humanidade. Os técnicos do BM trabalharam em parceria com as Nações Unidas. O responsável pelo programa de refugiados do Banco Mundial, Xavier Devictor, disse que “ser refugiado durante dois ou três anos coloca um certo número de problemas. Ser refugiado durante 30 anos levanta outros, seja em termos da educação das crianças ou da capacidade para reconstruir a sua existência. É uma perspectiva muito diferente”. “Cada vez nos apercebemos mais que a maioria destas ­pessoas vivem em locais onde é quase impossível conseguir um emprego. Ou porque é legalmente impossível trabalhar para quem tem estatuto de refugiado, como é o caso de alguns países, ou simplesmente porque vivem em países onde é muito difícil encontrar emprego”, acrescentou Xavier Devictor.
O relatório, que contou com colaboração da agência da ONU para os Refugiados, visa encontrar soluções para a crise com base numa alargada recolha de dados, a nível global. O Banco Mundial referiu que “não é apenas uma questão humanitária, porque o deslocamento forçado está a emergir como grande desafio.

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