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Uganda oferece asilo para Omar al-Bashir

Victor de Carvalho

O Governo do Uganda tornou pública a decisão de conceder asilo político a Omar al-Bashir, caso o peça e os militares no poder no Sudão o aceitem, revelou ontem a agência de notícias Reuters.

Ex-Presidente sudanês está detido numa prisão de alta segurança a aguardar pela Justiça
Fotografia: DR

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Uganda, Oke-llo Oryem, disse que o Presidente Museveni estaria na disposição de ponderar e aceitar receber Omar al-Bashir na condição de exilado político garantindo-lhe, a ele e à família, a segurança necessária para viverem tranquilamente no país.

O antigo Presidente, se-gundo noticiou ontem a BBC, encontra-se detido, são e sal-vo, numa cela isolada na penitenciária de alta segurança de Kobar, nos arredores de Cartum, para onde foi levado pelos militares no próprio dia em que estes o obrigaram a demitir-se.
Os militares admitem a possibilidade de ser extraditado para o Tribunal Penal Internacional (TPI) apenas por decisão de um “governo eleito”, o que só poderá suceder dentro de dois anos depois de realizadas as eleições.
Face a esta posição, é pouco credível que o Conselho Militar de Transição permita que Omar al-Bashir se possa, eventualmente, exilar no Uganda ou em qualquer outro país que lhe abra as portas.
Mas estas possibilidades não demovem o Uganda da intenção de acolher Omar al-Bashir, tendo Okello Oryem relevado, na altura em que passava a mensagem sobre a disponibilidade para lhe dar asilo político, aquilo que considerou ser “o crédito que lhe é devido pelo papel que desempenhou para a obtenção do recente acordo de paz para o Sudão do Sul.”
“O Presidente Omar al-Bashir foi um dos negociadores mais importantes para o acordo de paz no Sudão do Sul, sendo por isso gratificante podermos acolhê-lo entre nós caso ele o queira fazer e isso lhe seja permitido”, disse ainda Okello Oryem, citado pela agência Reuters.
Omar al-Bashir, que esteve 30 anos no poder, acabou por ser detido e obrigado a demitir-se na sequência de um golpe de Estado militar que culminou as 16 semanas consecutivas de manifestações populares de rua contra a sua governação.
O ex-Presidente do Sudão, tem contra si um mandado de detenção passado pelo TPI por crimes contra a humanidade, de guerra e genocídio, cometidos em Darfur em 2005.
Recentemente, o Presidente do Uganda, Yoweri Museveni, rotulou o Tribunal Penal Internacional como sendo formado por “um monte de pessoas inúteis.”

Manifestantes pedem transição imediata

Os manifestantes endureceram na terça-feira à noite a sua posição e pediram a dissolução imediata do Conselho Militar de Transição e a sua substituição por civis, durante um novo protesto diante do Quartel-General do Exército.
“O Exército vai tentar de novo dispersar-nos, porque está sob pressão, mas não estamos dispostos a ir embora. Talvez esta seja uma longa batalha, mas temos que lutar pelos nossos direitos”, disse à AFP, Ahmed Najdi, um dos organizadores dos protestos.
Por sua vez, a Associação de Profissionais Sudaneses (SPA), que lidera os protestos que assolam o país desde 19 de Dezembro, pediu pela primeira vez que o Conselho Militar de Transição seja dissolvido e substituído imediatamente por um Conselho Civil que inclua militares.
A associação endureceu a sua posição após denunciar uma tentativa de dispersão da concentração de manifestantes. A multidão permanece sentada, reunida numa esplanada diante do quartel-general desde o dia 6 deste mês.
Na segunda-feira, a União Africana ameaçou suspender a participação do Sudão se o Exército não ceder o poder a uma autoridade política civil dentro de duas semanas, tendo os militares respondido que esse processo já está em curso, garantindo que ele estará terminado antes do fim desse prazo.
Vários países ocidentais também pediram às autoridades que não recorram à violência para dispersar as manifestações. Pelo menos, 65 pessoas morreram desde o início dos protestos, segundo um balanço oficial.
No muro do quartel-general, as Forças Armadas puseram um cartaz com a inscrição “mantenha distância”, dirigido à população.

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