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União Africana levanta sanções impostas ao Mali

O Conselho de Paz e Segurança da União Africana (UA) levantou, sexta-feira, a suspensão do Mali da organização continental, imposta a 19 de Agosto na sequência do golpe de Estado que derrubou o regime do Presidente Ibrahim Boubacar Keita.

Conselho de Paz e Segurança retirou suspensão do país na organização continental
Fotografia: DR

“O Conselho de Paz e Segurança, face aos recentes desenvolvimentos políticos positivos, decidiu levantar a suspensão que tinha imposto ao Mali.

A República do Mali está autorizada a participar plenamente em todas as actividades da União Africana”, escreveu o órgão de segurança da UA na sua conta oficial no Twitter, segundo a AFP. Por seu lado, o presidente da Comissão da União Africana, Moussa Faki Mahamat, saudou os desenvolvimentos no Mali, nomeadamente a tomada de posse de um Presidente e Primeiro-Ministro civis e a instalação nos próximos dias do Conselho Nacional de Transição.

“As instituições de transição estão em vias de ser instaladas, um Presidente e um Primeiro-Ministro civis para o período de transição foram designados, e acabam de dar posse ao Governo. Nos próximos dias, o Conselho Nacional de Transição deverá ser instalado”, enumerou Mahamat. Por outro lado, o antigo Presidente, Ibrahim Boubakar Keita, “foi libertado e autorizado a procurar um país para receber tratamento médico” e no passado dia 7, “as personalidades políticas e militares, entre as quais o antigo primeiro-ministro, foram igualmente libertadas. Estes são avanços que devem ser saudados”, sublinhou o presidente da Comissão da União Africana (UA).

Mahamat assinalou ainda o facto de estes progressos terem levado os chefes de Estado da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) a levantar as sanções impostas ao Mali no seguimento do golpe de Estado militar de 18 de Agosto e manifestou a disponibilidade de o órgão executivo da UA desempenhar o papel que o Conselho da União vier a determinar no processo de ajuda ao Mali durante a transição.

“É preciso lembrar que o Mali, além da crise sócio-política que o desestabiliza desde Junho, se confronta com uma crise securitária, e outra sanitária. Os ataques terroristas não cessaram, não obstante os esforços das forças de defesa malianas e forças internacionais.

A Covid-19 teve consequências negativas na vida sócio-económica das populações”, um quadro que deve ser tido em conta pela UA no tocante ao apoio à transição no Mali que vier a decidir, disse Mahamat. “Além destas urgências incontornáveis, o país deve organizar consultas eleitorais com vista a dotar-se de instituições definitivas”, concluiu.

Soumaila Cissé nega ter sido agredido

O líder da oposição maliana, Soumaila Cissé, negou ontem em declarações à imprensa ter sofrido qualquer violência, nem física, muito menos verbal, por parte dos raptores durante o cativeiro.

Segundo a AFP, aparentando estar em boa condição física e moral, Soumaila Cissé deu alguns pormenores sobre o seu processo de libertação, acelerado na sequência da investidura do Presidente da transição. “Desde 26 de Setembro último, ele pediu-me para fazer um vídeo para dar sinal de vida”, explicou.

“Existem prazos ligados ao protocolo e à segurança que fizeram com que não chegássemos mais cedo”, explicou Soumaila Cissé, que agradeceu ao Exército maliano o profissionalismo e ao povo a sua solidariedade durante estes momentos.

Presidente da União para a República e Democracia (URD) Cissé foi raptado, a 25 de Março de 2020, perto de Niafunké, na província de Tombouctou (norte) por homens armados, quando se encontrava em campanha para a disputa das eleições legislativas.

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