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União Africana preocupada com grave crise no Mali

O presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat, afirmou-se hoje profundamente preocupado com a "grave crise" que se vive no Mali desde as manifestações populares do passado dia 05 de Junho.

Presidente da Comissão da União Africana (UA), Moussa Faki Mahamat.
Fotografia: DR

Congratulando-se com a “natureza pacífica” destas manifestações até à data, o presidente da Comissão da UA encoraja vivamente todos os intervenientes a evitarem qualquer tipo de recurso à violência. Moussa Faki Mahamat instou as partes a trabalharem em conjunto para encontrarem soluções consensuais para pôr termo à crise, tendo em conta as aspirações do povo maliano.

Manifestou igualmente o seu apoio aos esforços da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental (CEDEAO) e assegurou a plena solidariedade da UA para dar expressão concreta ao apoio de África ao Governo e ao povo do Mali nesta fase crucial da sua história. No passado dia 05 de Junho, dezenas de milhares de malianos saíram às ruas pedindo um Governo diversificado e a demissão de Ibrahim Boubacar Keita.

A população mostrou o seu descontentamento face à violência comunitária e ‘jihadista’ na região, a estagnação económica e o que consideram ser “imperialismo e corrupção pelo poder”. Durante esta semana, Ibrahim Boubacar Keita anunciou a realização de consultas para a criação de um governo de união nacional.

O descontentamento surgiu depois do anúncio dos resultados definitivos das eleições legislativas realizadas em Março e Abril, pelo Tribunal Constitucional, que deram ao partido no poder mais dez lugares que o previsto nos resultados provisórios. A tensão política no Mali foi também estimulada pelo sequestro de Soumaila Cissé, um líder da oposição, poucos dias antes das eleições, sendo que este continua desaparecido.

A instabilidade que afeta o Mali começou com um golpe de Estado em 2012, quando vários grupos rebeldes e organizações fundamentalistas tomaram o poder do norte do país durante 10 meses. Os fundamentalistas foram expulsos em 2013 devido a uma intervenção militar internacional liderada pela França, mas extensas áreas do país, sobretudo no norte e no centro, escapam ao controlo estatal e são, na prática, geridas por grupos rebeldes armados.

Para tentar dissipar a crise política que se vive neste país, uma missão da CEDEAO esteve na semana passado no país, tendo-se reunido com vários responsáveis políticos e entidades. Considerando que o acórdão do Tribunal Constitucional no âmbito do contencioso relativo às últimas eleições legislativas está na base da atual tensão sociopolítica, a missão da organização regional apelou ao Governo da República do Mali para que "reexamine os resultados de todas as circunscrições que tenham sido objeto de revisão pelo acórdão do Tribunal Constitucional".

"Deverão realizar-se, o mais rapidamente possível, novas eleições parciais para os círculos eleitorais em causa", frisaram os responsáveis, numa nota divulgada na passada sexta-feira. Nesse mesmo dia, milhares de malianos voltaram a sair às ruas para pedir a saída do Presidente, Ibrahim Boubacar Keita, e o protesto acabou com a polícia a lançar gás lacrimogéneo contra os cidadãos.

Um dia depois, o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, pediu contenção no Mali e exigiu aos líderes políticos que não piorem a situação já tensa no país, depois de milhares de malianos pedirem a saída do Presidente. “O secretário-geral pede a todos os líderes políticos que enviem uma mensagem clara aos seus apoiantes para que exerçam o máximo de contenção e se abstenham de qualquer acção que possa aumentar as tensões”, adiantou um comunicado de imprensa.

António Guterres, “consternado”, destacou também a importância do diálogo e pediu às partes que trabalhem de maneira “inclusiva e construtiva para preservar o Estado de direito e o respeito dos direitos fundamentais”. No documento, Guterres expressou o seu total apoio aos esforços de mediação da CEDEAO e assegurou que a ONU, através do seu representante especial no Mali, continuará a “acompanhar os malianos nos seus esforços por consolidar a paz e a democracia”.

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