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União Europeia pede aos EUA para recuar na decisão de deixar a OMS

A União Europeia (UE) instou ontem os Estados Unidos a recuarem na decisão de sair da Organização Mundial de Saúde (OMS), para evitar um “enfraquecimento dos resultados internacionais” no combate à Covid-19, anunciando a mobilização de verbas adicionais.

Fotografia: DR

“Face a esta ameaça global (que é a Covid-19), chegou o momento de reforçar a cooperação e de encontrar soluções comuns. Devem ser evitadas acções que enfraqueçam os resultados internacionais e, neste contexto, instamos os Estados Unidos a reconsiderarem a sua anunciada decisão”, frisam a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o Alto Representante da UE para a Política Externa, Josep Borrell, numa declaração conjunta ontem divulgada.

Para estes responsáveis, “a cooperação e a solidariedade globais, através de esforços multilaterais, são as únicas vias eficazes e viáveis para vencer esta batalha que o mundo enfrenta”, razão pela qual sustentam que “a OMS precisa de continuar a ser capaz de liderar a resposta internacional às pandemias, actuas e futuras”.

“Para tal, a participação e o apoio de todos é necessária e muito necessária”, vincam.

Na declaração, Ursula von der Leyen e Josep Borrell assinalam ainda que, “enquanto o mundo continua a combater a pandemia de Covid-19, a principal tarefa de todos é salvar vidas e conter e mitigar esta pandemia”.

“A UE continua a apoiar a OMS nesta questão e já disponibilizou financiamento adicional”, anunciam.

Ainda assim, os altos responsáveis da UE consideram ser necessária uma “avaliação da resposta global”, uma vez que “há ensinamentos a retirar desta pandemia, do seu surto e da resposta que lhe é dada”.

Na sexta-feira, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que terminou o relacionamento entre os Estados Unidos e a OMS, que acusou de ser inapta na gestão da pandemia de Covid-19.

Donald Trump alegou que a OMS não soube responder de forma eficaz ao seu apelo para introduzir alterações no seu modelo de financiamento, depois de já ter ameaçado cortar o financiamento norte-americano a esta organização das Nações Unidas, acusando-a de ser demasiado benevolente com o Governo chinês.

“Porque falharam em fazer as reformas necessárias e requeridas, terminamos o nosso relacionamento com a Organização Mundial de Saúde e iremos redireccionar os fundos para outras necessidades urgentes e globais de saúde pública que possam surgir”, disse Trump, em declarações aos jornalistas.

No início deste mês, o Presidente norte-americano tinha feito um ultimato à OMS, ameaçando cortar a ligação à organização, se não fossem feitas reformas profundas na sua estrutura e no seu ‘modus operandi’.

Nessa altura, Trump suspendeu temporariamente o financiamento à OMS, no valor que está estimado em cerca de 400 milhões de euros anuais, o que corresponde a 15% do orçamento da organização.

Trump acusou a OMS de ter feito uma gestão ineficaz de combate à pandemia de Covid-19 e de ter sido conivente com o Governo chinês, alegando que Pequim reteve informação relevante sobre a propagação do novo coronavírus, que aumentou os riscos da crise sanitária global.

Alemanha e Rússia

A ruptura de Washington com a Organização Mundial da Saúde (OMS) é um “sério revés para a saúde mundial”, alertou, ontem, o ministro da Saúde alemão, defendendo que agora a União Europeia precisa “comprometer-se mais” financeiramente.

Numa mensagem divulgada no Twitter, o governante alemão Jens Spahn aproveitou para salientar a necessidade de reformar aquela instituição das Nações Unidas.

Jens Spahn insistiu que a União Europeia deve “comprometer-se mais” financeiramente, após a decisão do Presidente dos EUA, Donald Trump, de cortar laços com a OMS.

Já o Governo russo questionou a saída dos Estados Unidos da América da OMS, considerando que prejudica as relações de cooperação na saúde, numa altura crítica, devido à situação pandémica causada pelo novo coronavírus.

“Quando o mundo precisa de consolidar esforços na luta contra a pandemia, Washington desfere um golpe no cimento da interacção na esfera da saúde”, disse aos jornalistas a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Russia, Maria Zajárova, citada pela agência Interfax.

A representante da diplomacia russa questionou ainda sobre o que vão os Estados Unidos da América (EUA) dar em troca desta decisão de saída da OMS.

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