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Vítimas pedem inquérito a “crime contra humanidade”

Representantes das vítimas da explosão de Beirute pediram, ontem, uma investigação internacional sobre o que aconteceu no dia 4 no porto da capital, apelando a que os responsáveis prestem contas por um “crime contra a humanidade”.

Fotografia: DR


“As vítimas do massacre de 4 de Agosto pedem apoio à comunidade internacional para conseguir justiça e verdade com um julgamento e investigação internacionais”, afirmou a advogada Nada Abdelsater, numa cerimónia pública realizada em Beirute.

Segundo a advogada, as vítimas querem que o caso seja encaminhado para o Tribunal Penal Internacional ou que seja criado “um tribunal internacional especial” para julgar o acontecimento e anunciou ter enviado os dois pedidos ao Conselho de Segurança das Nações Unidas.
Algumas das vítimas da explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amónio lançaram ontem esta iniciativa numa “jaima” (tenda nómada) numa zona situada em frente a Beirute, de onde pode ser visto o porto destruído.
Abdelsater convocou as outras vítimas a aderirem à iniciativa por meio de um site criado pela advogada, tendo afirmado que os políticos libaneses “fogem das suas responsabilidades” e “fazem aumentar as suspeitas de que a cena do crime está a ser manipulada” ao impedirem que especialistas internacionais forneçam assistência na investigação.

Uma das vítimas que aderiu à iniciativa foi Nicole Nagar, pai de Alexandra, uma menina de três anos que morreu dias após a explosão devido aos ferimentos e que se tornou um símbolo da tragédia.
Nagar pediu “unidade e solidariedade” ao povo libanês, sublinhando a “incrível reacção popular”, ao aludir às organizações e voluntários que saíram às ruas dos bairros mais afectados para ajudar as vítimas, na ausência de apoio do Governo.
As autoridades libanesas prometeram uma investigação rápida para esclarecer as razões da explosão da carga de nitrato de amónio que estava armazenada no porto desde 2014.

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