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Vladimir Putin diz querer tranquilidade nas eleições

O Presidente russo, Vladimir Putin, assegurou, hoje ao homólogo bielorrusso, Alexander Lukashenko, que não pretende desestabilizar o regime antes das presidenciais, após Minsk ter acusado Moscovo de ingerência e do envio de mercenários russos para cometer um “massacre”.

Presidente da Rússia, Vladimir Putin
Fotografia: DR

“A parte russa tem interesse em manter uma situação política estável na Bielorrússia e que as eleições presidenciais (de domingo) decorram num clima de tranquilidade”, indicou o Kremlin num comunicado que resume a conversa telefónica entre Putin e Lukashenko. Esta foi a primeira conversa telefónica entre os dois Chefes de Estado desde a detenção, no final de Julho, de 33 russos que Minsk identificou como mercenários do grupo militar privado Wagner, considerado próximo do Kremlin.

De acordo com os investigadores bielorrussos, os russos tinham por missão organizar com a oposição tumultos por ocasião das eleições presidenciais que se realizam amanhã. Segundo o Kremlin, Lukashenko e Putin discutiram esta questão que será regularizada “no espírito de compreensão mútua que caracteriza a sua cooperação”.

Putin terá exortado o seu homólogo a libertar os 33 russos, apesar de o secretário de Estado do Conselho de Segurança da Bielorrússia ter previamente garantido que Minsk procura outros 200 alegados mercenários russos que também se encontram no país. Segundo as autoridades da vizinha Ucrânia, alguns dos detidos combateram no leste do país ao lado dos separatistas pró-russos, e foi solicitada a sua extradição.

O comunicado da Presidência russa indica ainda que foram abordados “temas de actualidade relativos ao desenvolvimento das relações fraternas russo-bielorrussas”. As relações entre Moscovo e Minsk têm registado uma contínua degradação nos últimos meses, com o Presidente bielorrusso, no poder desde 1994, a considerar que a Rússia apoia os seus detractores para o penalizar pelo facto de ter recusado aprofundar a união dos dois países e fazer da Bielorrússia um Estado vassalo.

O Kremlin rejeitou estas acusações. Lukashenko, 65 anos e que se apresenta a um sexto mandato consecutivo, enfrenta uma mobilização inesperada em torno da opositora Svetlana Tikhanovskaia, uma estreante na política de 37 anos e apoiada pelos principais rivais do Presidente, que foram impedidos de participar na eleição ou foram detidos.

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