Yahya Jammeh pede anulação dos resultados


15 de Dezembro, 2016

Fotografia: AFP

A Aliança para a Reorientação Patriótica e Construção, partido de Yahya Jammeh, o Presidente cessante da Gâmbia que perdeu as presidenciais de 1 de Dezembro, pediu na noite de terça-feira ao Supremo Tribunal de Justiça a anulação dos resultados das eleições ganhas por Adama Barrow com 19 mil votos de diferença.


No documento, divulgado pela agência de notícias France Press, o partido alega que a Comissão Eleitoral “não compilou correctamente os resultados” e que “numa região do país” os seus apoiantes “sofreram intimidações” e não foram votar.
Os mesmos argumentos foram invocados pelo Chefe de Estado cessante na semana passada em declarações à televisão para explicar a decisão de não reconhecer os resultados eleitorais, depois de ter felicitado o candidato Adama Barrow pela vitória. A posição do partido é divulgada após a sede da Comissão Eleitoral Independente ter sido encerrada pela polícia, antes da chegada de uma delegação de Chefes de Estado da África Ocidental para convencer Yahya Jammeh a aceitar os resultados e ceder o poder.
O presidente da Comissão Eleitoral  foi forçado a abandonar o edifício. “Os soldados entraram no meu gabinete e deram-me ordens para sair”, afirmou à Reuters, em Banjul.
Antes, o Conselho de Paz e Segurança da União Africana apelou ao presidente da Gâmbia para respeitar a vontade do povo e não tentar anular os resultados das presidenciais em que foi derrotado.
Num comunicado, aquele órgão da União Africana informou que está a analisar o envio de uma delegação de alto nível a Banjul para mediar a transferência de poder, após o Presidente cessante e candidato derrotado ter declarado que não aceita os resultados das eleições vencidas por Adama Barrow.
“A União Africana rejeita firmemente qualquer tentativa de anular os resultados das eleições presidenciais na Gâmbia, que expressam claramente a vontade e escolha do povo gambiano”, é referido no comunicado. No documento, a organização continental considera que as eleições presidenciais foram “livres e transparentes” e defende uma transferência de poderes “rápida e pacífica” para “preservar a estabilidade e a democracia na Gâmbia e em toda a região”.
Entretanto, o Presidente da comissão da Comunidade Económica dos Estados de África Ocidental (CEDEAO), Marcel de Souza, sublinhou que na CEDEAO a diplomacia “é privilegiada”, mas admitiu que uma intervenção militar “pode ser equacionada para se fazer respeitar os resultados das presidenciais de 1 de Dezembro”.
Esta posição foi manifestada numa altura em que uma delegação de alto nível da União Africana está em Banjul, capital da Gâmbia, com mensagens dos Presidentes da Nigéria, Serra Leoa e Libéria para o Presidente cessante Yahya Jammeh, que recusa a derrota nas urnas.
Yahya Jammeh, 51 anos, 22 dos quais como Chefe do Estado gambiano, após um golpe de Estado, exige a repetição das eleições presidenciais e anunciou que vai apresentar um recurso ao Tribunal Constitucional para anular os resultados. O Chefe de Estado cessante admitiu inicialmente a derrota, mas voltou atrás e agora recusa aceitar o resultado das eleições, alegando “irregularidades” na votação.

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