Na maioria dos casos, as teorias da conspiração são apenas isso mesmo, sobretudo quando se trata de hipóteses especulativas que sugerem que duas ou mais pessoas, até mesmo uma organização, tramam e se conjuram no sentido de provocar ou encobrir actos ou condutas ilegais ou prejudiciais.
Existem mesmo situações em que tais ideias, de tão rocambulescas, superam o ridículo, ao questionarem factos devidamente comprovados pela Ciência. Uma delas é a teoria da Terra plana, tema da crónica da semana passada. Nalgumas situações, contudo, elas merecem alguma atenção e tem de se lhes dar o mérito de, ao chamarem a atenção para determinados assuntos, acabarem por reforçar o coro de vozes que clamam por uma nova ordem mundial, convencidas estas da existência de um plano projectado para impor um governo único a nível mundial. Menos força teria e menos adeptos granjearia o conspiracionismo sem a existência comprovada de grupos e sociedades secretas criadas e desenvolvidas, tanto no âmbito político-administrativo, como a maçonaria, quanto no religioso, como a Opus Dei, para manter o status quo sobre vários aspectos da vida e das sociedades. Em seu desfavor, essas teorias têm o facto de, geralmente, mencionarem conspirações sem fundamento e de avançarem suposições contrárias à compreensão de simples factos ou eventos históricos. Se isso era mais difícil de acontecer nos anos 1960, hoje, com as novas tecnologias de informação e comunicação, torna-se muito mais fácil meter a boca no trombone e assoprar. Há que notar que muitos desses grupos, cuja origem está ligada à História e ao advento do conhecimento, como nos Illuminati, por exemplo, cuja designação se refere aos Illuminati da Baviera, sociedade secreta da época do Iluminismo, fundada em 1 de Maio de 1776 para se opor à superstição e ao obscurantismo então reinantes, socorrem-se desses mesmos argumentos para proliferarem, na base de que se trata de uma questão de fé e não são necessárias quaisquer provas. Mas existem aspectos intrigantes, um dos quais é o relativo à nota de um dólar norte-americano, lan-çada em 1869. Por estar repleta de desenhos, símbolos e dizeres em latim, com referências
à história dos Estados Unidos da América, a cédula leva muita gente a acreditar tratarem-se de ligações à maçonaria ou aos Illuminati, servindo de prova da existência de uma ordem antiga, que tudo vigia e a todos controla, seja do ponto de vista económico-financeiro – através de uma espécie de “banco central” – seja da segurança e poderio militar, seja mesmo na vertente sociológica – religiões, crenças, drogas, tráfico de drogas ou seres humanos... Não admira que, num momento complicado como aquele em que vivemos, surjam algumas teorias da conspiração relativas ao aquecimento global, a apresentar o problema como mais uma fake news criada pelos chineses e russos, um “alarmismo climático” tendente a travar o progresso de regimes e economias que, por si só, dão evidentes sinais de esgotamento e saturação. Outro assunto que nos leva a pensar tem a ver com a questão dos combustíveis. Se, por um lado, é clara a influência que as indústrias de exploração dos de origem fóssil (nomeadamente, a petrolífera, embora se saiba que, com todos os seus males, desde a poluição às guerras, o petróleo é um elemento desnecessário à vida no Planeta, levando-nos a pensar no enorme peso que detêm na tomada de decisões a nível mundial e que constituem o principal obstáculo ao desenvolvimento das energias sustentáveis, como a solar e a eólica), causa-nos alguma estranheza o facto de agora virem a público de forma recorrente matérias a respeito dos malefícios dos motores movidos a gasóleo, dos benefícios dos eléctricos e, mais recentemente, sobre performances alcançadas pelos carros movidos a água salgada. Pelo meio, ficam as interrogações acerca de destino que tiveram os cientistas envolvidos na sua exploração e as conclusões a que chegaram ou basta concluir que quem controla a energia faz o mesmo com a população.