Opinião

A festa das nossas eleições

Kumuênho da Rosa |

A convocação das Eleições Gerais para 23 de Agosto abre caminho para o início da contagem dos prazos legais do processo eleitoral propriamente dito.

O Tribunal Constitucional, agora já na veste de Tribunal Eleitoral, anunciou o prazo para a entrega de candidaturas e atenção que estamos a falar de um prazo insusceptível de ser prorrogado. Ora, esta é a fase em que a opinião pública nacional e internacional começa a formar um juízo sobre com que linhas se vai cosendo o nosso processo eleitoral e me parece ser a altura ideal para uma reflexão: até que ponto estamos preparados para prestar ao processo o contributo necessário para que seja exemplar e nos orgulhe a todos?
A experiência das eleições anteriores, e refiro-me particularmente às Eleições Gerais de 2012, que inauguraram o actual quadro constitucional, leva-nos a olhar com alguma atenção para o comportamento dos agentes eleitorais. E aqui sem que haja a mínima hipótese de confusão em relação à figura do agente eleitoral, porque, e ainda bem que já lá vai, perdeu-se muito tempo com exercícios estéreis sobre quem é quem no processo, quando a resposta está descrita claramente na lei que até não é nova.
Depois de concluído o registo eleitoral e ultrapassadas as questiúnculas que avultaram ao longo do processo, a opinião pública nacional e internacional pôde já tirar ilações sobre o que verdadeiramente move os angolanos. Não há mais espaço para expedientes fortuitos que em nada acrescentam ao processo de consolidação de uma sociedade onde os cidadãos têm cada vez mais consciência de que só unidos são capazes de recuperar o tempo e tudo o resto que perderam em décadas de uma guerra fratricida.
E por falar em guerra, aqui ao lado começa a haver sinais de alguma preocupação. Os nossos irmãos da RDC voltam a passar por momentos de grande dificuldade. Esta semana tivemos a visita, mais uma, de Said Djinit, o enviado especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para a Região dos Grandes Lagos, com uma mensagem de encorajamento pelo que fizemos e temos feito pela estabilidade da região, sobretudo na RDC e República Centro Africana. Angola continua, tal como no início, fortemente engajada na realização dos propósitos que nortearam a criação da Conferência Internacional para Região dos Grandes Lagos (CIRGL), mas é preciso compreender que ninguém pode fazer tudo sozinho.
Estamos dispostos a continuar a ajudar os nossos irmãos da RDC e a nossa disponibilidade em acolher e prestar auxílio aos milhares de cidadãos desse país vizinho fugidos das acções de milícias, que só se mantêm no activo e a causar instabilidade na região porque as lideranças têm hesitado no momento em que não é permitido hesitar. Estamos bem recordados das conclusões saídas das cimeiras, muitas, dos Grandes Lagos, em que foram dados ultimatos atrás de ultimatos para que as chamadas “forças negativas” depusessem as armas e de forma voluntária integrassem o processo de diálogo para o fim da crise no país.
E a verdade é que passados meses e várias diligências realizadas continuamos a ver milícias passearem-se por vastas regiões da RDC, particularmente a Leste, numa total impunidade, semeando o terror por onde quer que passam e o resultado de tudo isso são os milhares de congoleses nos centros de acolhimento em território angolano.
Ora que fique claro, os angolanos sabem bem que, tal como aconteceu num passado recente com a Namíbia, a insegurança e instabilidade na RDC afecta-nos directamente. Estamos em ano de eleições e todas as medidas devem ser tomadas para que nada interfira no processo de organização das eleições e normalização das instituições democráticas no nosso país. E de volta às eleições, as nossas eleições, não é demais assinalar o simbolismo da mensagem apresentada por Said Djinit ao Vice-Presidente Manuel Vicente, mormente no que diz respeito à disponibilidade de apoio “no que for necessário” para que as Eleições Gerais marcadas para 23 de Agosto sejam um “exemplo de sucessão”.
Quanto a isso, Said Djinit que esteja descansado que os angolanos têm perfeita noção do que é preciso fazer para seguir o seu rumo. Demonstraram-no realizando uma mega operação de logística com o registo eleitoral e jamais se negaram a estender a mão a quem precisou de ajuda. Está em curso um processo pacífico e ordeiro de transição política e a ONU e suas agências que têm sido exemplares em matéria de cooperação nas políticas públicas serão sempre bem-vindas. Afinal, os angolanos preparam-se para receber amigos e quantos queiram fazer parte desta grande festa da democracia, que aliás já tem data: 23 de Agosto.

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