Opinião

Até sempre, camaradas

Victor Carvalho |

Esta é a última Palavra do Director que escrevo nas páginas deste jornal. Imperativos profissionais, impostos pelos superiores interesses do nosso País, levam-me a abraçar em breve um novo desafio.

Diferente do actual, mas igualmente prestigiante para mim, sobretudo por ter a honra de poder continuar a ser útil para tornar Angola cada vez mais marcante para todos os angolanos.
Por isso, nesta hora de um adeus feito com um enorme aperto de saudades no coração, permito-me usar deste espaço para tecer algumas breves considerações sobre o que foi este ano e meio em que partilhei a maior parte das 24 horas de cada dia com aqueles que considero serem, inquestionavelmente, os melhores jornalistas com quem tive o privilégio de trabalhar ao longo destes mais de 40 anos de carreira profissional.
Em primeiro lugar e em jeito de nota de introdução começo por dizer que me sinto emocionado por cumprir o sonho de criança de ter estado debaixo do mesmo tecto no qual o meu pai, o velho Marques da Silva, trabalhou durante mais de 40 anos e de ter testemunhado o quanto ele ainda hoje ele é estimado.
Depois quero agradecer a todos quantos comigo trabalharam e ajudaram a cumprir com a missão que me foi superiormente confiada, desde o Presidente do Conselho de Administração ao trabalhador da limpeza. Todos foram de uma disponibilidade total para me ajudar e a todos levo bem guardados no fundo do meu coração.
Permitam-me que tenha uma palavra especial para os meus camaradas Jornalistas, aqueles com quem mais de perto me relacionei nesta azáfama diária de produzir informação o que me ajudou a perceber a dimensão humana e profissional de cada um deles.
A todos encorajo a prosseguirem a sua valorização profissional e a darem o melhor de si mesmos para ajudarem a equipa que se prepara agora para pegar na condução da Empresa e levá-la para um porto cada vez mais seguro.
Ao longo de mais de 40 anos de carreira passei pelas redacções de prestigiados jornais e agências de informação. Corri o mundo na cobertura de diferentes acontecimentos noticiosos e convivi com profissionais de múltiplos países. Com todos eles aprendi a ser um pouco daquilo que sou hoje.
Mas, nunca como até agora, tinha tido o privilégio de conviver com Jornalistas da dimensão humana como a daqueles que encontrei nas redacções dos títulos da Edições Novembro. Por isso, saio desta etapa da minha carreira profissional mais reconfortado por ter reforçado a certeza de que o Jornalismo nacional está em muito boas mãos e não fica nada a dever aquele que é feito além-fronteiras.
Saio também mais fortalecido e ao mesmo tempo com uma sensação de ingratidão porque duramente este ano e meio aprendi muito mais do que me permitiram ensinar. Estes últimos dias têm sido dolorosos, sobretudo quando entro nas diferentes redacções, porque embora a hora da partida efectiva ainda não tenha chegado já sinto no peito o nó apertado das saudades.
Para me consolar recordo os bons momentos passados com todos os profissionais da empresa, as discussões (amistosas) com o PCA para tornar os títulos cada vez melhores e a imensa paciência que todos tiveram para me aturar. Este tempo foi também de tristeza pela morte prematura do nosso Albino Camana, um amigo que tive pouco tempo para conhecer mas pelo qual nutria uma profunda admiração e  respeito.
A todos o meu muito obrigado. Ao José Ribeiro um obrigado especial pela ousadia de me ter honrado com o convite para trabalhar com ele.
À nova equipa que vai conduzir a empresa um voto de felicidades, pois o vosso sucesso será o meu sucesso.
Ao Sócrates, um último pedido de paciência para acomodar este texto no apertado espaço que lhe está reservado na página 2.
Este até sempre, camaradas, pode muito bem ser um até muito em breve!

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