Opinião

Bom Ano de 2018

Victor Silva |

Chegámos ao fim de 2017 no início de um novo ciclo político e com desafios enormes não apenas para os governantes mas também para os cidadãos do País, que esperam um futuro melhor.

O discurso do Vice-Presidente da República, Bornito de Sousa, na apresentação de cumprimentos de fim de ano ao Presidente da Republica, João Lourenço, faz um balanço do mais marcante de três meses da sua governação, e as expectativas geradas pela assertividade de algumas medidas tendentes a devolver ao País alguma da dignidade que se foi perdendo.
Releva no discurso do Vice-Presidente a importância dada às orientações do MPLA para o período de 2017-2022, reafirmando a importância de uma coexistência salutar entre o partido e o Governo, para o cumprimento das promessas feitas ao eleitorado nas eleições de Agosto de 2017.
Se há algo que o discurso de Bornito de Sousa realça é a popularidade de João Lourenço e admita-se que o MPLA teria um resultado pior se o candidato fosse outro. Importa, pois, ter em conta que o trabalho profícuo do actual inquilino do Palácio da Cidade Alta será determinante para o crescimento do MPLA enquanto partido, situação que se inverterá no caso de a governação não ter êxito, ou se houver obstáculos internos à persecução dos objectivos propostos de regeneração do tecido produtivo e social do País.
Ninguém governa sozinho, e o que estaremos a assistir no quadro político prevalecente, é a concertação de esforços para ultrapassar os desafios enormes que se colocam a um País dilacerado por algumas opções menos assertivas que se tomaram, e que todos, uns por acção, uns quantos por inacção, e outros por omissão fomos sendo responsáveis.
O discurso de Bornito de Sousa revela alguma serenidade, indispensável nos tempos que correm e releva a forma como foi feita a transição do poder, o que não deixa de ser um aspecto de grande impacto político numa democracia que tem de ser construída num quotidiano sem conflitualidade entre instituições ou individualidades.
O ano de 2018, para o qual nos preparamos para entrar, é de grandes desafios e de dificuldades esperadas, mas que sejam partilhadas e que não sejam apenas sentidas por uma mesma fatia enorme da população, que vive um quotidiano de pobreza e num estado de indigência máxima que nos revolta a todos, enquanto cidadãos.
A esperança em João Lourenço e no seu Executivo é enorme e, depois de elencado um conjunto de prioridades, temos fundadas expectativas de que estamos no caminho certo para a instauração de uma democracia plena e que com isso a intervenção dos cidadãos vai ser mais próxima e mais exigente.
A eleição das autarquias pode ser o grande momento político, e a concretizar-se permitirá a João Lourenço reforçar ainda mais o seu capital político. As autarquias vão obrigar a uma maior responsabilização de um número significativo de pessoas, maior participação dos partidos e sobretudo uma política de proximidade com os cidadãos que lhe permita dar respostas mais rápidas a problemas que hoje se perdem no universo do centralismo, onde por norma ficam para nunca mais se resolverem.
João Lourenço quer que o País progrida e se desenvolva, e não será uma ou outra divergência pontual com uma ou outra figura de referência na sociedade angolana que vai alterar um estado de confiança que se vai vivendo em Angola nestes tempos que são de esperança.
O futuro tem sido adiado, fruto de várias contingências, e “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem” só vai ser um slogan de sucesso se proximamente se começarem a ver resultados na prática política e no dia a dia dos cidadãos.
A visita recente do Presidente da República a algumas unidades de Saúde de Luanda mostra a verdadeira dimensão da tragédia que se vive e que é apenas um dos muitos exemplos de situações que andámos a tapar com as esteiras. João Lourenço e o seu Executivo, os governos provinciais, os autarcas e os cidadãos conhecem o estado geral do País, e quando se fala na diversificação da economia, fala-se também em rumar a uma mudança exigente de uma intervenção cívica por parte dos angolanos.
Que 2018 traga uma vida melhor aos cidadãos desta nossa Angola!
Bom Ano Novo.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia