Candidato e candidaturas

Victor Carvalho |
16 de Abril, 2017

Ainda ecoam os efeitos de alguns dos amargos de boca que as forças que se opõem ao actual governo sentiram por aquilo a que chamaram, a despropósito, de “parcialidade” no modo como a imprensa estava a retratar o cenário político que o país então atravessava e que permanece inalterável.

Essas amargos de boca resultavam, fundamentalmente, por aquilo que conseguimos perceber, do que diziam ser a “exagerada cobertura mediática” que era dispensada ao candidato que o MPLA no tempo que julgou mais oportuno decidiu escolher para se apresentar como eventual futuro Presidente da República.
O assunto, de tão grave que essas forças o rotulavam, chegou mesmo a merecer um pedido de agendamento para ser devidamente debatido em plena Assembleia Nacional, uma pretensão que logo à partida nos parecia difícil de ser concretizada uma vez que os jornalistas, muito justamente não têm, nem precisam de ter, qualquer tipo de representação parlamentar.
Passadas que foram três semanas sobre o período em que esses amargos de boca levarama que alguns protagonistas políticos perdessem algum do seu tempo para virem a público expor os seus argumentos, a verdade é que o cenário político de então continua a ser rigorosamente o mesmo.
Ou seja, tendo como pano de fundo a natural agitação política que se vive nos meses que antecedem uma campanha eleitoral, seja em que país ou continente for, as diferentes forças potencialmente concorrentes tratam de se preparar, com o timing que julgam mais adequado aos seus objectivos para convencer os eleitores da razoabilidade das suas propostas.
Neste período, absolutamente fundamental para unir as diferentes fileiras partidárias, quem for mais organizado, logo à partida, leva vantagem sobre aqueles que se mostrarem demasiadamente titubeantes em se definir perante o naipe de eleitores.
Até agora, por muito que isso custe a alguns agentes políticos e à própria imprensa que tem na diversidade de opiniões um manancial para melhor servir quem a segue, a verdade é que apenas o MPLA, partido que está no poder, conseguiu organizar-se e preencher a sua lista de candidatos para as eleições que previsivelmente se deverão realizar em Agosto próximo.
Independentemente de se estar perante uma forma diferentes das diferentes forças políticas nacionais entenderem encarar o desafio das eleições, a realidade é esta e é com ela que a imprensa tem que lidar não lhe competindo tecer grandes considerações sobre se é, ou não, este o melhor sistema de organização interna dessas mesmas formações.
No entretanto, a Unita, principal força da oposição, continua enredada na sua estratégia interna para a escolha dos elementos que darão corpo à sua lista final de candidatos a deputados pelo círculo nacional, decorrendo o período de selecção das pessoas que presumivelmente serão escolhidas fora da esfera do partido para dela fazerem parte.
Embora esteja mais ou menos definido que Isaías Samakuva será o número 1 da sua lista, o facto é que oficialmente nada está ainda garantido uma vez que apenas o ficará quando a lista de candidatos estiver completa e for oficialmente aprovada pela direcção do partido.
A CASA-CE, terceira força da oposição, está aparentemente um pouco mais atrasada do que a Unita depois que viu fracassada a sua tentativa de passar de coligação a partido político, um processo que a desgastou e fez perder um tempo precioso.
Neste momento o seu líder, Abel Chivukuvuku, é um eventual candidato a número 1 da lista de candidatos que a CASA-CE submeterá a votos nas próximas eleições.
Mesmo o comício que a coligação realizou no fim de semana passado em Luanda, que poderia trazer alguma luz sobre esta matéria, ficou-se pelo assinalar de mais um aniversário da formação, embora no convite dirigido à imprensa constasse que se iria assistir a uma intervenção do seu cabeça de lista para as eleições.
A FNLA e o PRS, as outras duas forças políticas com lugar na actual composição parlamentar continuam envolvidas em complicadas disputas internas para definir uma liderança que possa submeter a sufrágio nas próximas eleições.
Perante este cenário, onde existe apenas um candidato a futuro Presidente da República e uma série de candidaturas a candidato à liderança de listas de diferentes partidos, só como muito má vontade é que se poderá acusar a imprensa de usar uma dualidade de critério editorial beneficiando um em detrimento dos outros.
Aliás, verdade seja dita, apesar do cenário descrito o facto é que a imprensa, que não tem culpa nenhum do que internamente se passa nas esferas partidárias, tudo tem feito para divulgar condignamente as poucas e algumas das vezes clandestinas iniciativas políticas das formações que continuam a sentir enormes dificuldades para internamente se definirem e poderem assim dirimir forças em pé de igualdade por quem ousou partir na frente.
Por isso, mais do que perder tempo em verem fantasmas onde eles não existem, melhor andariam essas forças políticas se concentrassem os seus esforços e as suas atenções na definição das suas estratégias de modo a resolverem as respectivas lideranças sem terem que recorrer, sistematicamente, a truques e malabarismos para denegrir o processo eleitoral em curso e no qual a imprensa tem um papel fundamental a desempenhar como espelho de tudo o que esse mesmo processo envolve para salvaguarda da verdade e da legalidade estabelecida.

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