Opinião

Mãos à obra

Víctor Carvalho

Poucas vezes, como na última semana,  a vida política nacional conheceu uma tamanha agitação numa sucessão de acontecimentos que, antes do mais, atestaram de modo evidente a vitalidade da nossa democracia e serviram, também, para mostrar à sociedade que as instituições estão perfeitamente articuladas no respeito pelo espírito e pela letra do que estão estipulados na Constituição.

Esse turbilhão de acontecimentos culminou ontem com a tomada de posse de um Governo que tem sobre os ombros a pesada responsabilidade de começar a trabalhar para vencer, melhorando o que está bem e corrigindo o que está mal, dando assim sequência ao que foram as promessas reiteradamente feitas na campanha eleitoral pelo Presidente João Lourenço na sua qualidade de cabeça-de-lista do MPLA.
Independentemente das pessoas que integram o Governo, das suas maiores ou menores valias, o mais importante é a dinâmica que ele terá que ter para corporizar o programa que o MPLA apresentou ao povo e foi sufragado por uma inequívoca maioria qualificada, facto que lhe aumenta ainda mais as responsabilidades.
Mas se o novo Governo tem responsabilidades acrescidas para fazer por merecer a confiança que o povo depositou no partido vencedor das eleições de 23 de Agosto, a verdade é que a sociedade também tem uma elevada quota de responsabilidade para que este desafio seja vencido de modo categórico.
Para lá das diferenças políticas que democraticamente conformam o mosaico social nacional, existe um objectivo que terá de ser comum: criar as condições para que Angola seja um país cada vez melhor para se viver.
Além do esforço de todos, o Presidente João Lourenço precisa também de tempo suficiente para desenvolver a sua estratégia governativa. Angola é um país com características muito próprias, com um tempo próprio e que não se esgota na impaciência de quem prometeu aquilo que antecipadamente sabia nunca poder cumprir ou na exigência que outros fazem para que sejam dados passos mais compridos que as pernas.
Ao assumir na cerimónia da sua tomada de posse a opção por uma governação inclusiva, João Lourenço declarou-se “Presidente de todos os angolanos” deixando para trás as disputas políticas que chegaram a marcar o período de campanha eleitoral, atirando para o lado da oposição a obrigatoriedade desta assumir o papel que lhe cabe numa sociedade onde a democracia impera.
A ausência da oposição na cerimónia de tomada de posse do Presidente João Lourenço, que contrastou com a presença de mais de duas dezenas de chefes de Estado e de Governo estrangeiros, revela um amargo sentimento de mau perder e, sobretudo, de desrespeito para com o povo que exerceu de forma livre e democrática o seu direito de voto.
Alguns poderão dizer que essa ausência serviu como uma espécie de “voto de protesto”. O grande problema, para a oposição, é que esse protesto, se disso se tratou, só o poderia ser em relação à decisão popular que não lhes atribuiu o mérito suficiente para poderem governar.
Neste momento a expectativa é grande, não só para aquilo que serão os primeiros passos do novo Governo como também para se ver que tipo de oposição iremos ver. Se será aquela que voltou as costas à tomada de posse do “Presidente de todos os angolanos”, ou se a que foi ordeiramente ocupar os seus lugares no Parlamento e jurou solenemente defender os superiores interesses da Nação.
Se é verdade que uma postura não é incompatível com a outra, especialmente face à lei, também é verdade que essa mesma oposição tem que se definir perante o seu próprio eleitorado para este possa ajuizar, em rigor, quem de facto está a trabalhar para criar as condições para que Angola seja um país cada vez melhor para se viver.
Cinco anos passam rápido, demasiadamente rápido.

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