Opinião

O nosso guião

Caetano Júnior

Anda aí alguém a insistir para que a “Palavra do Director”, rubrica do Jornal de Angola que neste instante merece a atenção do leitor, aborde temas por que ele se interessa e reflicta opiniões que ele próprio defende.

Em pelo menos dois textos, híbridos, indecifráveis no género e indefinidos no tipo, além de espaçados por ataques à integridade moral, à honra e à dignidade de quem escolheu para conspurcar – como é, aliás, a tradicional marca da publicação que os veicula – o autor chega a pretender que o clamor seja encarado como uma espécie de escrito beneficente, ao serviço da liberdade de expressão, da democracia e do interesse público.
Mas não é assim. Trata-se de Opinião; de um território de teor argumentativo, que reflecte o ponto de vista de quem a assina; que mostra a perspectiva do autor. É diferente da Informação, matéria que assenta no facto e conhece a luz do dia pela nobreza da notícia. A Opinião chega em jeito de corolário do emaranhado de pensamentos, ideias e conhecimentos, não poucas vezes empíricos, de quem a produz. É um texto carregado de subjectividade, porque também tem suporte no senso comum, na experiência quotidiana. Por isso mesmo, a Opinião é, geralmente, aceite e a educação ensina a ouvi-la e a respeitá-la.
Assim, faria algum sentido que alguém elegesse um tema e nos obrigasse a discorrê-lo, com base no que ele próprio pensa ou acredita? Não, de um modo geral. É preciso não perder de vista o Individualismo, “conceito político, moral e social, que exprime a afirmação e a liberdade do indivíduo frente a um grupo, à sociedade ou ao Estado”. E esta independência deve incluir o pensamento. Contudo, pode acontecer, em presença de ideias harmonizadas, de ideologias geminadas ou de ajustes e aproximação de pontos de vista, até à compaginação.
Mas não é o que exige aí o nosso crítico. Ele quer uma mudança radical na abordagem opinativa da “Palavra do Director”, cujos textos são assinados, à vez, a cada 15 dias, por quem hoje vos escreve e pelo director do Jornal de Angola. Ele sequer se dá ao trabalho de separar a linha editorial por que se guia este diário da que alimenta o órgão que dá vazão aos textos que escreve. São, como se pode depreender, publicações alicerçadas em ideais “inirmanáveis”, movidas por objectivos que chegam a antagonizar.
O Jornal de Angola procura ser sempre uma publicação sóbria e equilibrada; bate-se até pelos valores sociais e humanos e evita, o quanto pode, encher os leitores com matérias que lhes dificultam a compreensão ou lhes deixam o mínimo sabor que seja a sensacionalismo. Por aqui se pode perceber que certo tipo de “sugestão” para a “Palavra do Director” é contraproducente, porque põe em causa a sensatez de quem a escreve; faz que se lhe questionem o equilíbrio e o sentido de responsabilidade. Por outro lado, para a produção argumentativa da coluna, não animam a acusação gratuita, a ofensa à moral, à honra e ao bom-nome, nem a perseguição de figuras públicas e políticas do país. Sequer de cidadãos anónimos.
Desde que tomou posse a nova direcção do Jornal de Angola, há pouco mais de 14 meses, este espaço opinativo pariu acima de 50 textos, que reflectiram sobre as mais diferentes realidades do país. E sobram críticas negativas à governação. A diferença está na forma como a fazemos, que, entretanto, não sacia a sede de sangue e a ânsia por vingança de quem acredita na violência verbal, na presunção, na injúria e na difamação como sustentação para o teor do texto. Não é este, graças a Deus, o nosso guião. Somos pela verdade, pela moderação do tom e pela força da argumentação. Como é característico no texto argumentativo, a conclusão cabe a quem o lê...

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