As destruições em Angola decorreram ao longo de 30 anos. Equipamentos sociais, pontes, caminhos-de-ferro, barragens, aldeias, vilas e cidades foram levados na enxurrada destruidora da guerra. Milhões de angolanos foram directamente afectados por um conflito que não deixou pedra sobre pedra.
As destruições em Angola decorreram ao longo de 30 anos. Equipamentos sociais, pontes, caminhos-de-ferro, barragens, aldeias, vilas e cidades foram levados na enxurrada destruidora da guerra. Milhões de angolanos foram directamente afectados por um conflito que não deixou pedra sobre pedra. Nos últimos sete anos, metemos mãos à obra, varremos os escombros e começámos a reconstruir o país. Começámos a reconstruir as vias de comunicação. Nenhuma economia, por mais robusta que seja, nenhum país, por mais riquezas naturais que ostente, consegue ir para a frente sem uma rede viária nacional em condições. E depois dos grandes eixos viários é preciso reparar a rede secundária. E ao mesmo tempo é necessário refazer as picadas que conduzem às aldeias mais recônditas, onde os camponeses se esforçam por produzir o que precisamos para comer. E a rede de estradas surgiu do nada. Está aí, à vista de quem tiver olhos para ver. As nossas estradas permitem hoje uma mobilidade como Angola nunca teve. Basta ir para a estrada para ver milhares de camiões – muitas vezes com carga em excesso – transportando de província para província, com destino aos grandes mercados, as mercadorias indispensáveis ao nosso quotidiano.
Mas o Governo já partiu para outra etapa. Cada província está a receber centenas de autocarros para transportes públicos urbanos, suburbanos e entre os municípios. Nunca Angola teve um parque automóvel público com esta grandeza. São milhares de autocarros que começam a circular nas ruas e estradas, cheios de gente que vai para o trabalho ou se desloca
de uma ponta à outra do país. Quem viaja neles sabe o que valem e como são óptimos. A seguir às estradas, novas ou reabilitadas, e aos excelentes autocarros, vem a promoção do Turismo, a chamada indústria da paz, e que vai ser, seguramente, o futuro “petróleo” de Angola. Ao longo das estradas vão surgir restaurantes regionais, hotéis, mercados de artesanato, um sem número de actividades que tirarão os angolanos, em definitivo, das dificuldades em que vivem mergulhados desde que a partir das nossas fronteiras foi dado o tiro de partida para a guerra que nos deixou na situação em que ainda hoje nos encontramos, apesar dos esforços tremendos que estão a ser feitos pelo Governo.
Os angolanos sentem melhor que ninguém a que velocidade está a ser reconstruído o país e estão a ser removidos os escombros da guerra. Apesar de haver ainda alguns profetas da desgraça, para quem quanto pior melhor, o “canteiro de obras” continua, o progresso chegou onde até há pouco tempo era impensável, os alimentos já chegam aos pratos de todos. Em Angola já ninguém morre na guerra. Mas também ninguém morre de fome “através” da guerra. As grandes estradas nacionais, as redes viárias provinciais, as picadas, foram a primeira etapa desta caminhada para o futuro. Agora chegaram os autocarros. Amanhã estamos todos, de mãos dadas, a pensar como partir para uma nova etapa, ainda mais ousada, que garanta a todos as condições que sustentam a democracia e a liberdade: trabalho, saúde, educação e habitação. Para quê, então, a hostilidade?