Opinião

Os desafios da Imprensa pública

Victor Silva

As liberdades de expressão e de imprensa são conquistas que se vão cimentando à medida que se aprofundam as mudanças geradas pelo novo ciclo político inaugurado em Angola, em Setembro do ano passado.

Desde a sua investidura que o actual Presidente da República colocou esses direitos na ordem das prioridades para a consolidação da democracia e uma governação mais participativa, inclusiva, em que os cidadãos tenham também voz e lugar em espaços públicos abertos ao debate, que passam,igualmente, pela comunicação social.
Há o compromisso de melhorar a qualidade da informação que é veiculada através do crescente número de meios de comunicação e diferentes plataformas, sendo notória a aposta na superação técnico-cultural dos profissionais para que possam exercer, na plenitude, essa nobre missão de informar com verdade, com rigor e em obediência  aos princípios básicos do jornalismo, respeitando o contraditório e o direito à privacidade e ao bom nome.
Os servidores públicos  foram convidados a saber conviver com a crítica e a diferença de opiniões, deixando a sobranceria com que muitas vezes se apresentavam, quais detentores de toda e única verdade e sabedoria. O debate de ideias e o contraditório são essenciais para o desenvolvimento de qualquer Nação e a comunicação social tem procurado, na medida do possível, promover e fomentar essa prática, dir-se-ia corriqueira em democracias consolidadas, mas que aqui ensaia uma nova fase, que encontra ainda algumas barreiras.
Não é de esperar que todos aceitem do mesmo modo “pacífico” as mudanças que se estão a operar sobretudo na comunicação social pública, tida até pouco como corrente de transmissão oficial e instrumento de propaganda para êxitos e insucessos da governação e do partido que a sustenta.
Por isso, não passam despercebidas ao comum dos cidadãos as mudanças que se registam na imprensa pública e que em  pouco tempo contribuíram, consideravelmente, para a melhoria da reputação internacional do país, como atestam as inúmeras intenções de investimento estrangeiro que diariamente são conhecidas.
A melhoria da imagem de Angola no exterior deve-se, fundamentalmente, ao início da moralização da sociedade através das políticas e acções para se acabar com a impunidade, primeiro passo na gigante tarefa de combate à corrupção. Mas deve-se, igualmente, à abertura informativa que se pretende responsável, objectiva, baseada em factos e não na especulação, com crítica fundamentada sem cair no sensacionalismo e na tentação da fulanização, observando sempre o contraditório.
Apesar do pouco tempo que leva este novo ciclo político são já  vários os exemplos de resultados práticos da abertura  informativa a começar pela percepção do país real e das dificuldades que as populações enfrentam  no seu dia-a-dia sem qualquer maquilhagem cosmética. São igualmente vários os casos  que mereceram outra atenção , e até mesmo solução, depois serem conhecidos através da Imprensa pública.
O grande desafio que se coloca à comunicação social pública é tornar-se na mais equilibrada, completa, fidedigna e credível do mercado, sendo referência desta abertura informativa proporcionada pelo compromisso de garantir o pleno exercício das liberdades de expressão e de Imprensa. Para tal está anunciado um maior investimento público no sector, que não se resume apenas a meios técnicos e equipamentos, mas também no aumento de conhecimentos daqueles que nas redacções e centros de produção tornam possível a informação plural que hoje conhecemos, numa época em que qualquer cidadão tem a possibilidade de relatar no momento e apenas com um clique  factos e acontecimentos, que precisam de um outro tratamento para serem matéria jornalística.
Sendo parte de um processo, é evidente  que esta abertura informativa não está isenta de erros e falhas, que devem ser superadas com o esforço e a participação de todos. Sem complexos!







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