Opinião

Três factos recentes e a sua relevância

Filomeno Manaças|

Se quisermos aferir a importância crescente que Angola vem tendo política e economicamente a nível internacional, basta referir três acontecimentos de valia registados em pouco mais de duas semanas, a começar pelo último.

Se quisermos aferir a importância crescente que Angola vem tendo política e economicamente a nível internacional, basta referir três acontecimentos de valia registados em pouco mais de duas semanas, a começar pelo último.
A vinda a Angola pela primeira vez de um dirigente máximo da Rússia, o convite feito ao Presidente José Eduardo dos Santos pelo Primeiro-Ministro italiano, Sílvio Berlusconi, para participar na próxima Cimeira do G-8, e a presença entre nós do ex-Presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, para uma palestra sobre a crise económica e financeira mundial, reúnem em si toda a relevância necessária para se poder dizer que o país está na alta roda da política mundial.
Há um tratamento que confere a Angola um estatuto diferenciado, corolário de todo um conjunto de acções políticas, diplomáticas e económicas desenvolvidas, entre as quais avultam a conquista da paz e subsequentes ganhos com efeitos indutores a curto, médio e longo prazo, particularmente no que diz respeito ao posicionamento do país em termos de estabilidade e crescimento.
Com efeito, são essas perspectivas que fazem de Angola “um caso” ao qual a comunidade internacional presta particular atenção, por constituir, sobretudo, uma experiência assente em bases seguras e em que as projecções são as mais promissoras. Toda esta consideração assenta apenas numa palavra: trabalho.
E é esse trabalho realizado que permite, hoje, elevar a cooperação com a Rússia a outros patamares. Dmitri Medevdev e José Eduardo dos Santos foram unânimes em reconhecer e afirmar que as relações entre a Rússia e Angola estão longe de corresponder às potencialidades que os dois países possuem. De facto, há um vasto campo de interesses económicos recíprocos e técnico-científicos que pode catapultar a estatística das trocas comerciais bilaterais. Os acordos assinados no final da visita do Presidente russo constituem a aposta em seguir nessa direcção.
Em tempo de crise económica e financeira mundial, melhor resposta não poderiam dar os dois países aos desafios que se perfilam no horizonte. E aqui se encaixam perfeitamente as declarações feitas pelo ex-Presidente brasileiro, Fernando Henrique Cardoso, segundo a qual "Angola tem enormes recursos naturais para sobreviver à crise económica e financeira mundial", sendo que é a procura de investimentos com vista a diversificar a economia que vai permitir ao país "surfar" sobre os momentos difíceis por que passa a economia mundial.
A presença em Angola do antigo Chefe de Estado brasileiro, para uma dissertação na Escola Nacional de Administração (ENAD) sobre o tema "Projecção dos Interesses Nacionais dos Estados na Arquitectura do Mundo Contemporâneo e os Efeitos da Crise Económica e Financeira Mundial nas Economias Nacionais", teve o condão de trazer a público e de modo incisivo assuntos sobre os quais já se discute hoje com base em maiores evidências: nomeadamente, que já se desenha uma nova ordem económica mundial, que o Banco Mundial perdeu a importância de outrora, que o Fundo Monetário Internacional precisa de rever o seu figurino em função das participações de cada país, que Keynes volta a estar na moda e agora até numa dimensão maior que antes.
Para nós, angolanos, de reter é o conselho deixado por Fernando Henrique Cardoso, ao pedir "tempo, paciência, trabalho e persistência" para melhorarmos as condições de vida, e a afirmação segundo a qual "as nações perduram e as crises passam".

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