Opinião

Turismo gera emprego

Guilhermino Alberto |

O candidato do MPLA a Presidente da República, João Lourenço, prometeu criar 500 mil novos empregos para jovens, caso o seu partido vença as eleições gerais do próximo dia 23 de Agosto.

O também vice-presidente do MPLA fez esta promessa quando apresentava, publicamente, em Maio último, as medidas que fazem parte do programa de governação dos “Camaradas”, o qual inclui, entre outras prioridades, o combate à corrupção e ao compadrio, a luta contra a pobreza, a promoção do emprego e a melhoria do ambiente de negócios.
Se, para alguns líderes de opinião e de partidos políticos da oposição, as promessas de João Lourenço não passam de promessas de campanha, por isso mesmo irrealizáveis, a Associação de Hotéis e Resorts de Angola (AHRA) pensa o contrário. Avança que só o sector do Turismo pode criar, nos próximos cinco anos, 300 mil novos postos de trabalho.
Armindo César e Ramiro Barreira, presidente de direcção e secretário-geral da AHRA, respectivamente, não têm quaisquer dúvidas. Asseguram que é, sim, possível, ao país, criar emprego sustentável com o turismo. Para tanto, basta que se retire o “chip bloqueador” virado à indústria petrolífera e que se leve o turismo com a seriedade que se exige no actual processo de diversificação da economia. Pensam que o país ainda continua muito amarrado ao petróleo, embora algumas vozes e instituições digam o contrário.
Sem pretender defender cegamente as propostas de Armindo César e Ramiro Barreira, temos de convir que as ideias avançadas pela AHRA, no encontro de sexta-feira, com jornalistas de vários órgãos de Comunicação Social, incluindo o Jornal de Angola, são de levar em conta, se o que se pretende é, na verdade, criar emprego sustentável fora do volátil mercado petrolífero. Angola, com os recursos turísticos incomensuráveis que reúne, pode e deve ser um destino de excelência e reduzir o fosso que a separa das vizinhas Namíbia e África do Sul, que têm na “indústria da paz”  uma importante fonte de arrecadação de receitas.
Para utilizar uma linguagem do sector, pode dizer-se que há, no país, os ingredientes necessários para alimentar o turismo.  Está garantido, à partida, que os cerca de 3.700 hotéis, aparthotéis, resorts, lodges, albergarias, pensões e restaurantes têm capacidade instalada para acolher bem os turistas e tornar Angola num destino turístico de referência mundial.
Sem pretender tirar protagonismo ao Executivo, que regula as políticas públicas de desenvolvimento, a AHRA lembra, todavia, que é preciso fazer bem o trabalho de casa, que passa por criar, rapidamente, as condições para que o turista se sinta bem.  É preciso deixar que o visitante circule pelo país sem constrangimentos.
Não faz, pois, sentido que, em pleno século XXI, um turista seja detido  “em flagrante delito”  por  tirar fotografias da Marginal de Luanda ou da histórica Igreja de Nossa Senhora da Nazaré, que fica nas proximidades do Ministério do Interior. Esses excessos de zelo, já reconhecidos pelo comandante-geral da Polícia Nacional, Ambrósio de Lemos, durante o último encontro com os operadores de turismo, afastam os turistas para outros destinos. São atitudes que devem ser imediatamente retiradas do nosso roteiro turístico.
Sem descurar as questões de segurança, o turista deve ter a liberdade de viajar de carro pelas nossas estradas, sem que seja travado por 20 ou mais postos de controlo durante o percurso. E ainda  hoje tal acontece.
A AHRA também acha que não faz qualquer sentido que se negue o visto de fronteira a um turista alemão ou britânico, que, seguramente, não vem a Angola para aumentar o  número de imigrantes ilegais. Países como Quénia, Ruanda, Uganda e muitos outros já o fazem há anos e não há informação pública de que tenham, por isso, perdido o controlo da sua situação migratória.
Não se tem, igualmente, conhecimento público de que os milhares de alemães, britânicos ou sul-africanos que visitam, anualmente, os santuários de gorilas e chimpanzés no Ruanda e no Uganda se tenham ali fixado.  Existem, sim, informações sobre as receitas, em milhões de dólares, vindas dos vistos de fronteira e de gastos em hotéis e similares, feitos por esses turistas.
São receitas importantes em divisas, de que esses países não abrem mão, porque ajudam a elevar o Produto Interno Bruto (PIB) e a criar milhares de postos de trabalho. E mais: ajudam a promover a imagem do país além fronteiras. O Brasil,  nação que nos vem muito à calha, ganha milhões de ienes, euros e dólares a mostrar ao turista asiático, europeu e norte-americano as suas favelas. Não tenhamos, pois, receio de destapar e contar a história dos nossos musseques.
Estas e outras ideias foram avançadas pela AHRA, que promete analisar e discutir, já na próxima terça-feira, dia 27 de Junho, com a Administração Geral Tributária (AGT),  a legislação fiscal aplicável à hotelaria e ao turismo. A intenção é  encontrar consensos para que o sector possa  gerar empregos sem a grande pressão exercida pelos impostos coercivos, que podem constituir-se numa verdadeira ameaça à sobrevivência de muitos angolanos.

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