Opinião

Uma perspectiva de estabilidade

José Ribeiro |

Com a realização das quartas eleições livres e uma transição exemplar, Angola reforça a sua presença na lista dos países africanos com mais estabilidade política e perspectivas de desenvolvimento económico rápido e sustentável. 

As razões por que isso acontece são sobejamente conhecidas. A influência da queda do preço do petróleo e o abalo financeiro subsequente não degenerarem em crise política e institucional em Angola, ao contrário do sucedido, por exemplo, no Brasil e Venezuela. A economia angolana continua a manter um nível espantoso, e até invejável, de consumo e investimento público e privado. Os centros comerciais estão cheios de gente, barragens hidroeléctricas e centrais de de água são inauguradas, é difícil arranjar lugares nos voos para o país e os projectos que chegam à Unidade Técnica para o Investimento Privado (UTIP) são assinaláveis. A infra-estrutura económica angolana parece, portanto, consolidada e atractiva.
Antes mesmo das eleições, as previsões feitas pelo FMI e as Nações Unidas já apontavam para o regresso ao crescimento económico este ano. Mas a forma organizada e transparente como as eleições decorreram, em que todas as forças concorrentes tiveram acesso à imprensa para divulgarem os seus programas e darem ao povo a possibilidade de escolha, não passou despercebida aos investidores, que não são burros. Se esperavam pelo efeito da transição para decidirem se iriam ou não continuar a meter dinheiro em Angola, o sinal dado pela votação não poderia ser melhor. Também por este prisma a corrente flui e é favorável.
A vitória de João Lourenço, como candidato à Cidade Alta, e do MPLA, com maioria qualificada, dá assim ao Presidente eleito  grande legitimidade para levar à prática as linhas essenciais do seu programa sufragado pelo povo. Durante a campanha eleitoral, João Lourenço honrou o compromisso com as conquistas e avanços conseguidos pelos antecessores, Agostinho Neto e José Eduardo dos Santos, na afirmação da independência e soberania nacional e na obtenção da paz e reconstrução económica, mas pôs um acento importante em questões que chamaram a atenção dos analistas. Em especial, destacou aspectos que apontam para um melhor aproveitamento do potencial agrícola e industrial  nacional  e de um combate à corrupção e à impunidade na gestão pública, o que  traria mais crescimento, mais investimento externo e melhor concretização dos programas sociais destinados à saúde, à educação e à cultura, vistas num quadro de contribuição para o PIB.
A receptividade destas ideias foi alta e também aqui parece haver expectativa e disponibilidade dos quadros nacionais para corresponderem aos objectivos traçados para o engrandecimento de Angola.
As perspectivas para realizar com êxito o programa de governo apresentado ao eleitorado são, portanto, óptimas para o Presidente eleito que é investido dentro de dois dias no cargo. A inauguração ontem do Monumento ao Soldado Desconhecido simboliza o fim desse ciclo bem sucedido de José Eduardo dos Santos como Presidente da República de Angola e o início do novo com João Lourenço como Presidente.
Os traços de paz, reconciliação, poder, coesão e bravura estão bem expressos no imponente Monumento descerrado pelo Presidente ainda em funções, algo como um legado sobre aquilo que são os mais profundos votos dos angolanos para o futuro. José Eduardo dos Santos conduziu o povo na defesa da Nação e venceu na guerra, na paz, na democracia e na estabilidade. A vitória nas eleições de 23 de Agosto foi, na verdade, a sua última grande vitória como líder do MPLA nas grandes batalhas a favor de uma vida digna para os angolanos.
O facto de ser João Lourenço a receber agora o testemunho do poder mostra que o povo angolano sabe bem qual o tipo de homens, quadros e políticos que precisa para o futuro. São aqueles com qualidade dos que foram capazes de realizar a transição que há 42 anos Portugal não soube fazer e os angolanos desejavam tão ardentemente. São aqueles que têm de continuar a levar Angola a bom porto, certos de que pertencem a um país africano que, pela sua localização e características, tem projecção mundial.

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