Opinião

2017 e a violência

Manuel Rui

Pelo menos e com uma certa condescendência, a ONU lançou um alerta de fome no Iémen, Nigéria, Somália e Sudão do Sul, como resultado dos conflitos, isto é, das guerras. Mas teríamos de acrescentar a mais jovem nação, o Sudão do Sul que desde 2013 vive em constante guerra civil.

Mas a violência na guerra convencional com blindados e bombardeamentos aéreos contra muçulmanos e a resposta destes com luta sem quartel (designada por terrorismo), inscrevem-se na lista da violência, com mortes civis em situações dantescas. O mais das vezes, imprevisíveis e imprevistas. A Europa foi invadida pelo pânico, um pânico novo e diferente daquele visível como o da invasão hitleriana. Em Paris, Bruxelas, Londres, Barcelona ou Berlim, as pessoas morreram com bombas, disparos, facadas ou veículos acelerando para cima de quem passeava repousando do trabalho. Aumentou-se a despesa com segurança, passar a fronteira para viajar de avião, é enfrentar um acréscimo às medidas de segurança introduzidas após o onze de Setembro e as torres.
Mas não podemos falar de violência mas de violências. Aumentou a lista de homicídio intencional. Atentados racistas nos Estados Unidos ou mesmo sobre turmas escolares de crianças ou de um homem que se instalou num andar altaneiro de um hotel com um arsenal de carabinas para disparar para uma praça e produzir uma chacina.
E a América Latina? Estudo realizado em vinte e oito países revela que insegurança é o principal factor de instabilidade política. Eu, amigo da onça, diria que… a instabilidade política é que condiciona, para evitar o “determina,” a insegurança. A insegurança porque a democracia é usada e propalada para camuflar ditaduras, corrupção, tráfico de droga, lavagem de dinheiro e escândalos extraterrestres como no Brasil, o presidente, indultar os crimes de colarinho branco, gente da pesada que roubou e esvaziou os dinheiros públicos de um estado como o ex-governador Cabral e sua esposa, advogada, que já foram condenados por mais anos dos que têm de vida. Gente que serviu o presidente para crimes provados por imagens televisivas com maletas abertas, dinheiro e mais dinheiro num apartamento, presidente incriminado e arguido no Supremo Federal de Justiça e “lavado” pela oposição de congressistas comprados…
O Barómetro das Américas (isto em 2014) a partir de uma pesquisa realizada pelo Projecto Opinião Pública da América Latina, da Universidade Vanderbilt, já apontava para “a persistência da criminalidade e da violência na América Latina e Caribe conduzem a democracia em risco, onde ganham terreno a centralização do poder e, nos casos mais extremos, as soluções populistas, ilegais ou violentas, como os grupos paramilitares, as patrulhas populares ou a condescendência com os linchamentos públicos.
Mas a América Latina é também a zaragata de Maduro com Portugal por causa dos pernis para o Natal que não foi a Venezuela que pagou mas foi ele, na primeira pessoa, porque ele é a Venezuela, “eu paguei”… e ao que parece é mentira e quem se trama são os portugueses que aguentavam as padarias. E tudo em nome da democracia como dantes na Sóvias era tudo em nome do socialismo.
E aqui, perto de nós, a norte, as guerras são o lugar-comum. A fronteira um pesadelo com o assalto aberto (e por vezes tolerado por angolanos de “bom coração”) aos nossos diamantes e os camiões cisternas a passarem a fronteira com a gasolina que nos faz falta…finalmente começou a fiscalização cerrada.
Estávamos a falar de violência e guerra. Porque estamos do lado da paz. A questão é que a paz deve ser entendida como um conceito mais amplo, para além dos disparos e da violência. A paz deve ser entendida como a convivência entre os homens de todo o mundo. Quando um grupo religioso é perseguido com tonalidades de extermínio étnico por não serem budistas, é também de violência e violação dos direitos humanos que se trata. Como quando os refugiados das guerras fomentadas pelo ocidente são tratados como animais é de violência e desumanidade que se trata.
O secretário-geral da ONU, Guterres, apanhou o tempo da cólera com o vírus Trump. O   presidente da maior potência mundial opõe-se a tudo. Podia opor-se a coisas políticas. Mas vai ao ponto de se opor à ciência. Contra toda a humanidade ele é contra e não aceita o acordo sobre o clima. “América primeiro de tudo”…quase parafraseando Hitler. Usa o direito de veto. Não renuncia à política de muros, impõe Jerusalém como capital de Israel contra tudo e contra todos e ameaçando com sanções quem não o seguir. E não quer pagar a quota à ONU par além das reservas à OTAN o que preocupa a Europa que intenta uma organização militar própria.
Mesmo considerando o limite do espaço para esta crónica, dá para concluir que Trump continua a vender armas, a globalização desmascara a inversão dos valores da democracia e, por aqui, hoje dia 31 de Dezembro, as pessoas que podem, abrem os televisores para verem a descarga de carbono do fogo-de-artifício pelo mundo – só o Japão festejou com lançamento de milhares de balões brancos- as pessoas, bebem espumante ou champanhe, pegam dos celulares, ligam e recebem chamadas a desejar boas entradas…

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