Opinião

A construção europeia: a vitória da paz

Dirk Lölke, Jozef Smets, Manuel Hernández Ruigómez, Zsolt Maris, Ruben Carruccio, Anne Gerard van Leeuwen, Piotr Mysliwiec, Pedro Pessoa e Costa, Georges Anghel, EwaUlrika Polano, Tomas Ulicny, Sylvain Itté |*

Nos passados dias oito e nove de Maio, a Europa celebrou dois grandes acontecimentos da sua história: o fim da Segunda Guerra Mundial, no dia 8 de Maio de 1945, e a Declaração Schuman do dia nove de Maio de 1950, primeiro marco da construção europeia.

É uma oportunidade para nós, europeus, avaliarmos em conjunto o caminho percorrido. A União Europeia que hoje conhecemos construiu-se largamente sobre as ruínas de uma Europa ferida por um conflito fratricida. Em nome do “nunca mais”, os países europeus conseguiram, cinco anos após o fim da guerra, ultrapassar as suas divergências a fim de construir uma paz duradoura. Numa altura em que alguns gostariam de reescrever a história ou de ocultar as suas passagens mais obscuras, pareceu-nos importante recordar certos factos históricos que conduziram à criação da União Europeia.
A Segunda Guerra Mundial dividiu profundamente a Europa. Depois das atrocidades cometidas pela Alemanha nacional-socialista, a Europa aspirava à paz e à unidade. Infelizmente, abateu-se uma cortina de ferro sobre os países da Europa do Leste que tinham sido libertados dos nazis pelo Exército Vermelho soviético e que aspiravam à democracia, ao desenvolvimento e à liberdade. Será preciso esperar até 1989 e a queda do muro de Berlim para permitir aos povos destes países recuperarem a sua independência e a liberdade, bem como para a maior parte deles a possibilidade de aderirem à União Europeia.
Com efeito, depois da guerra, as divisões não foram imediatamente acalmadas: a Guerra Fría surgiu, e a divisão do continente impediu a reunião de todos os europeus. Se o projecto europeísta e a democracia se instalaram firmamente na Europa Ocidental a partir dos anos 50, de Varsóvia a Praga ou a Budapeste, será necessário esperar pelo fim do século XX para, finalmente, se poder avançar na integração na União Europeia.
No dia 9 de Maio de 1950, Robert Schuman, ministro francês dos Negócios Estrangeiros, propôs, num discurso inspirado por Jean Monnet, a colocação em comum dos recursos de carvão e de aço da França e da República Federal da Alemanha, dois países que não cessaram de se enfrentar nos últimos séculos, numa organização aberta aos outros países da Europa. Foi o início da aventura da construção da Europa. Desde 1948 o espírito de liberdade foi concretizado com a criação do Conselho da Europa cuja sede está localizada em Estrasburgo.
Ao longo dos anos, a integração dos países europeus irá aprofundar-se. Os intercâmbios livres desenvolver-se-ão e as prerrogativas políticas da Comunidade Europeia aumentarão ao ritmo de um entendimento cada vez maior entre os povos europeus. O Sul da Europa democratizar-se-á progressivamente, permitindo a sua adesão ao projecto europeu.
Em 1979, as primeiras eleições por sufrágio universal dos 410 deputados do Parlamento Europeu deram uma nova dimensão política à Europa. A queda do Muro de Berlim, em 1989, e a reunificação da Alemanha, um ano mais tarde, abriram finalmente o caminho para uma extensão do projecto europeu aos países cuja história, cultura e economia fazem deles candidatos naturais a juntar-se à família europeia. Isso será feito em 2004 com a adesão, entre outros, da República Checa, da Estónia, da Letónia, da Lituânia, da Hungria, da Polónia, da Eslovénia e da Eslováquia e, em 2007, com a adesão da Roménia e da Bulgária. A adesão à União Europeia representava para estes países uma promessa de paz e de democracia.
A União Europeia alargou-se, assim, até incluir quase todos os países europeus. Constitui hoje um poder incontornável no xadrez político e económico internacional. A última adesão foi a da Croácia, em 2013. Este país assume desde Janeiro a presidência do Conselho da União Europeia, prova da igualdade que reina no seio da família Europa. Mas a Europa não é um projecto acabado com os 27 Estados-membros actuais: mantém-se aberta à adesão de outros países, nomeadamente outros países balcânicos, que respeitam os princípios de liberdade, Democracia, Estado de Direito e respeito pelos Direitos Humanos.
Recordar os momentos fundadores da nossa história europeia é, portanto, recordar que o projecto que criámos é o da vitória da paz sobre os obscurantismos e sobre todos os totalitarismos. A vitória dos Aliados na Segunda Guerra Mundial lançou as bases de um multilateralismo de que os países europeus são hoje os apoiantes mais visíveis. Os homens e as mulheres que acreditaram no projecto europeu tornaram possível o impensável: unir um continente há demasiado tempo dilacerado e dividido. Por conseguinte, a Europa representa verdadeiramente um projecto de futuro e de prosperidade: a promessa da paz através da união e da fraternidade entre os povos europeus.

Embaixadores de Alemanha, Bélgica, Espanha, França, Polónia, Suécia, UE, Hungria, Itália, Portugal, Paises-Baixos

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