Opinião

A dor de cabeça de Artur

Amândio Clemente

A recente qualificação inesperada e inédita da Selecção Nacional Sub-17 de Futebol para o Campeonato do Mundo da categoria, marcado para Outubro no Brasil, deixa orgulhosos milhões de angolanos, que nas redes sociais se manifestam de várias formas para exprimir a sua alegria e transmitir o seu “calor”, mesmo que à distância.

Apesar do júbilo demonstrado pelo presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF), na primeira reacção ao feito, a qualificação dos “Palancazinhos” é também mais uma dor de cabeça para o número um do órgão reitor do futebol nacional, já que é do conhecimento geral que a entidade está com os “bolsos vazios”.
A dor de cabeça do Artur Almeida e Silva é a dobrar, porque o homem vai ter de arranjar o dinheiro para preparar a empreitada mundialista, ao mesmo tempo que reúne tostões para a “operação Egipto”, já em Junho e Julho próximos. Um exercício que se afigura espinhoso, pois anda toda a gente a queixar-se da falta do “jabaculé”.
A dor de cabeça do Artur vai, certamente, contagiar a ministra Ana Paula, pois a federação é obrigada a recorrer ao Executivo para acudir esta despesa com que se vê em mãos inesperadamente. Duvido que o Artur contasse com a qualificação dos “miúdos”, e agora vê-se confrontado com uma situação com que não contava, nem estava nas suas contas.
Os Palancazinhos conseguiram o feito inédito e agora alguém vai ter que arcar com as despesas daí inerentes, o que em poucas palavras significa a criação de todas as condições, mas todas mesmo, para que a nossa representação na maior montra mundial da categoria orgulhe todos os angolanos, como acontece agora na Tanzânia.
As condições a serem criadas ,para que a presença no Mundial seja digna, implica dizer que não podemos voltar a ver uma Selecção Nacional a ir para um campeonato do mundo e ter apenas uma muda de equipamento para a competição, como já assistimos, incrivelmente num mundial, um atleta não poder jogar porque não havia outra camisola para continuar na quadra, quando a sua foi rasgada, num lance, por um adversário. Isto numa modalidade “habitué” em mundiais.
É, pois, preciso que se conjuguem esforços pela FAF, Minjud, consigam patrocínios para que a selecção tenha uma boa preparação, que inclua jogos, e se apresente no Brasil com a dignidade que todos esperamos.

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