Opinião

A empresa é o centro primordial do desenvolvimento

Augusto Teixeira de Matos *

O sector corporativo reveste-se de extrema importância, constituindo-se no epicentro e razão de ser principal do sistema capitalista, pois que é nele que as coisas são produzidas e inventadas as novas tecnologias.


Por isso, sem um forte sector corporativo também não pode existir dinamismo económico.
Tendo em consideração a crescente concorrência internacional num mundo globalizado, os países que dificultam a abertura e a administração de empresas ou que as obriguem a fazer coisas indesejadas acabarão por perder investimentos e empregos, ficando cada vez mais atrasados ao longo dos tempos.
Daí que alguns defendam, que o que é bom para os negócios, é bom para a economia nacional e por essa razão, o governo precisa conceder um grau máximo de liberdade aos negócios.
Porém, não obstante toda a importância do sector corporativo, nem sempre é bom para as próprias empresas a concessão de um grau máximo de liberdade e nem mesmo à economia nacional.
Nem todas as regulamentações são prejudiciais para os negócios, mas por vezes , é do interesse do sector comercial restringir a longo prazo a liberdade das empresas individuais para que elas não destruam os recursos compartilhados de que todas necessitam, como os recursos naturais ou a força de trabalho.
As regulamentações também podem ajudar as empresas, obrigando-as a fazer coisas que lhes podem ser individualmente dispendiosas a curto prazo mas que aumentam a produtividade colectiva a longo prazo, como por exemplo oferecer formação aos trabalhadores.
No fim de contas o que mais interessa não é a quantidade mas sim a qualidade da regulamentação empresarial.
As empresas do sector privado numa economia capitalista desempenham o papel principal na criação de riqueza, de emprego, e da arrecadação fiscal. Se elas funcionarem bem, a economia prospera como um todo, sobretudo quando as empresas são das maiores companhias e tecnologicamente mais dinâmicas, o seu sucesso ou fracasso causa efeitos significativos no resto da economia, ou seja, nas empresas fornecedoras, nos trabalhadores dessas empresas, nos fabricantes de produtos que os trabalhadores das empresas gigantes consomem e, por aí fora.
Por essa razão, o desempenho dessas empresas gigantes é particularmente importante para a prosperidade da economia nacional.
Esse argumento não teve aceitação consensual ao longo de uma grande parte do século XX.
Com efeito os regimes do sistema comunista de então eram contra o sector privado e entendiam que a propriedade privada era a fonte de todos os males do capitalismo.
No período entre a grande depressão de 1929 e os anos de 1970, a empresa privada era encarada com desconfiança, mesmo nas economias mais capitalistas.
As empresas eram vistas como agentes anti-sociais, cujo objectivo principal era a ambição do lucro, que precisava de ser refreado em prol de metas mais nobres, como a justiça, a harmonia social, a protecção dos fracos e até mesmo a dignidade nacional.Como resultado disso, foram introduzidos sistemas muito complicados e incómodos de regulamentações, baseados na crença de que os governos necessitavam de controlar o que cada empresa fazia, no interesse da sociedade como um todo.
Em alguns países mais retrógrados, os governos chegaram a obrigar as empresas a participar de negócios indesejados em nome do desenvolvimento nacional.
Houve mesmo casos de grandes empresas que foram proibidas de ingressar em segmentos de mercado dominados por pequenas propriedades agrícolas, fábricas e estabelecimentos comerciais, afim de preservar o estilo de vida tradicional e proteger os gestores das grandes empresas.
Foram, portanto, introduzidas duras regulamentações trabalhistas, que segundo se afirmava, visavam proteger os direitos dos trabalhadores.
Em outros casos, de outros países, os direitos dos consumidores foram ampliados de tal maneira, que chegaram a prejudicar os negócios.
Segundo os analistas defensores da liberdade de negócios, essas regulamentações prejudicavam não só as grandes empresas como também pioravam a situação de todas as outras pessoas singulares.
Limitando o poder das empresas de experimentar novos métodos de fazer negócios e ingressar em novas áreas, essas regulamentações apenas contribuíam para desacelerar o crescimento da produtividade de um modo geral.
A insensatez dessa lógica tornou-se evidente, segundo este argumento, e, por isso, a partir dos anos 1970, os países do mundo inteiro passaram a aceitar a ideia de que o que é bom para os ne-gócios é bom para a economia nacional e adoptaram uma política favorável à liberdade dos negócios. Mesmo os países comunistas deixaram de reprimir o sector privado a partir dos anos de 1990 influenciados pelos movimentos reformistas da Perestroika.

* Ex-ministro das Finanças e ex-governador do BNA

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