Opinião

A hospitalidade egípcia

Matias Adriano / Cairo

Se o futebol, fenómeno transformado, nos dias que correm, numa linguagem universal, é ainda interpretado com algumas reservas em sociedades conservadoras, o mesmo não se pode dizer quanto ao Egipto. O povo por cá vive o futebol com intensidade, não havendo quem não tenha percebido do que é a “caixa alta” do momento.

Se o futebol, fenómeno transformado, nos dias que correm, numa linguagem universal, é ainda interpretado com algumas reservas em sociedades conservadoras, o mesmo não se pode dizer quanto ao Egipto. O povo por cá vive o futebol com intensidade, não havendo quem não tenha percebido do que é a “caixa alta” do momento.
As bandeiras das nações participantes, cujas cores pintam as cidades sedes com várias tonalidades, falam por si. Nas principais avenidas pode-se também divisar posters gigantes dos principais rostos do campeonato, com realce, como seria de esperar, de Mohamed Salah. Para quem esteve cá, em 2006, nada mudou.
O país agita-se de norte a sul, porque o futebol faz, realmente, parte da sua cultura. Não estranha, pois, que numa terra em que a lei seca impera, os homens se acotovelem em exíguos espaços de restaurantes na luta por uma melhor posição para a tela gigante, apenas para ver em acção os "artistas da bola', enquanto se delícia com um simples chá.
Serão quase 30 dias de emoções sem limite, porque teve o país o privilégio de inaugurar a fase de 24 nações, no quadro do crescimento numérico do torneio, desde que veio à luz no longínquo ano de 1957, no Sudão. O torneio vai tendo, logicamente, algum aproveitamento comercial.
Estabelecimentos comerciais, principalmente nas grandes cidades, como Cairo e Alexandria, alteraram os horários. Passaram a abrir mais cedo e fechar mais tarde. Como é óbvio, o momento é de facturação à granel, muitas vezes vendendo gato por lebre. O campeonato proporciona esta oportunidade a quem tenha visão.
Matreiros nesta arte, de enganar os menos avisados, estão os hoteleiros, cujas imagens de estabelecimentos, que acompanham os contactos no "booking" despertam atenção, para depois sermos confrontados com algo decepcionante no contacto presencial. Poucos entre nós podem dar-se por felizes em termos de acomodação. Mas, quanto ao ambiente que deve caracterizar um lugar em festa desportiva nada a contrariar.

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia