Opinião

A importância do tempo

Luciano Rocha

Este tempo que vivemos, por via do coronavírus, é demasiado precioso para o ocuparmos sem ser em resguardo próprio ou, dentro das limitações de cada um e na trincheira que lhe está destinada, ajudarmos a combatê-lo.

Estas armas tão simples de usar não são, contudo, apesar de obrigatórias, utilizadas por todos, mas são elas, a par de outra meia dúzia, provavelmente nem tantas, igualmente de simples manejo, que têm impedido que o coronavírus não tenha feito mais vítimas entre nós, apesar da ausência que ainda registamos, em quantidade e qualidade, de infra-estruturas e especialistas de saúde.
Apesar destas limitações, temos conseguido resistir melhor ao inimigo sem rosto do que alguns países tidos como melhor organizados e economicamente mais desenvolvidas, cujos Governos, ao contrário do nosso, desvalorizaram força, manha e sede assassina deste vírus letal, para o qual estão por inventar vacinas que o evitem, medicamentos que o vençam.
Os números, com a frieza que os caracteriza, estampam factos, tal como a fanfarronice de uns quantos acabados de entrar para História, antes do que possam ter imaginado, mas devido a maus motivos: contaminações e óbitos que podiam ter evitado, ao menos tentado, e nada fizeram.
Inglaterra, Estados Unidos, Itália, Espanha, nações tidas como das mais desenvolvidos, são exemplos maiores que a displicência não combate o vírus, pelo contrário, franqueia-lhe as portas. Por isso, foi neles que ele se instalou mais facilmente e continua a dizimar milhares de famílias, mesmo entre a elite governante, apostado em dar conteúdo ao provérbio “pela boca, morre o peixe”. A tacanhez não é atributo das “grandes economias”, estende-se a outras paragens. Por exemplo, por quê é que a Guiné-Bissau é dos países africanos de Língua Oficial Portuguesa o mais castigado pela pandemia?
Por que é que Angola, mal refeita de tantas guerras, com a desvalorização do preço do petróleo, que, para mal dos nossos pecados, continua a ser a maior fonte de receita, ainda por cima, sem quadros, nem infra-estruturas de saúde capazes de, por si só, enfrentar tamanho inimigo, regista número diminuto - se é que se pode usar a palavra, quando se trata de vidas humanas - de infecções e mortes causadas pelo coronavírus?
Enquanto não houver certezas científicas, a resposta apenas pode ser uma: a rapidez do Governo na tomada de medidas preventivas, sem esperar que ele chegasse para começar a actuar. Entre elas, sobressaem a proibição de entrada de aviões e navios de passageiros provenientes de países afectados pela pandemia, o controlo de fronteiras, de ajuntamentos, além da chamada de atenção constante para a importância da higiene pessoal, designadamente das mãos.
Nesse sentido, providenciou a distribuição de água nas áreas, onde não há nas torneiras domésticas, sequer chafarizes. Este aglomerado de problemas desconhecidos nos chamados países desenvolvidos, nós ainda temos e foram tidos em conta em tempo devido.
O tempo, talvez como nunca, é para nós essencial, temos de o aproveitar “com peso, conta e media”, jamais desbaratá-lo, que o combate a um inimigo invisível, que não se anuncia, requer prudência, espaço mental para pensar. Não é por acaso que o Chefe de Estado diz, com frequência, que o momento não é de palavras, mas de acção.
A conferência de imprensa diária, em Luanda, com a revelação de dados actuais da situação causada pelo coronavírus no país, é importantíssima, até por permitir a colocação de questões pelos jornalistas e esclarecimentos de responsáveis do sector da saúde e constituir, igualmente, oportunidade de se repetirem conselhos essenciais sobre a prevenção de contágios.
O que se dispensava era a leitura de documentos, principalmente os longos, que se tornam fastidiosos, de difícil retenção do que ouve na rádio e televisão. Se fossem enviados, antecipadamente, aos órgãos de comunicação social, ganhava-se tempo, que é preciso poupar, e havia menos pessoas no local. É só uma sugestão.

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