Opinião

A juventude e as oportunidades do mundo digital

Eduardo Magalhães |*

Quando bem orientada, a juventude é um verdadeiro motor que permite dinamizar a complexa engrenagem do planeamento económico de um país.

Com a natural força produtiva, aliada à ousadia e desejo de conquistar o mundo, temos nos jovens - que representam o estrato maioritário da população do nosso país - uma alternativa aos desafios que se impõem.Reside na força da juventude a possibilidade de diversificação que tanto necessitamos na vertente económica.
Em muitos dos seus discursos, temos constatado que os governantes têm dado uma especial atenção à necessidade de aproveitamento imediato da mão de obra representada pela juventude angolana, especialmente por ser a maioria da nossa população e também pela capacidade de adaptação aos novos modelos de produção e inovação. Por reiteradas vezes, por exemplo, o Presidente da República fez referência à juventude como parte inseparável dos projectos da actual governação.
E o que é esta “força jovem”? Como dimensionar e tornar tangível o que costumamos chamar de “ousadia da juventude”? Na prática, veremos que somente o empreendedorismo pode responder às dúvidas e inquietações, pois é capaz de atender, na globalidade, o conjunto de preocupações e necessidades individuais. Se há uma reconhecida urgência de criar postos de trabalho, se há uma maioria jovem na nossa sociedade, podemos e devemos estimular e incentivar a iniciativa privada e o empreendedorismo nas suas diversas variantes para que a economia do país seja capaz de reagir aos desafios já identificados.
Quando recorrermos ao dicionário, identificamos na palavra empreendedorismo um substantivo masculino que designa: 1. disposição ou capacidade de idealizar, coordenar e realizar projectos, serviços, negócios. 2. inciativa de implementar novos negócios ou mudanças nas empresas já existentes, gerir com alterações que envolvem inovação e riscos. Ao ler esta definição, é praticamente impossível separá-la da juventude. Se considerarmos também que a juventude forma o maior universo de usuários das redes sociais e ocupa presença predominante no mundo digital, podemos concluir que o empreendedorismo nas redes sociais representa um vasto leque de oportunidades a serem exploradas. />Se empreender é inovar e a juventude - que é maioria nas redes sociais - tem a ousadia e vontade de conhecer o novo como característica predominante, temos aqui um infinito campo de possibilidades para fazer das redes sociais um caminho pavimentado rumo ao empreendedorismo. Como em qualquer negócio que um cidadão pretende iniciar, o empreendedorismo nas redes sociais exige um planeamento e o mesmo rigor traduzido na forma de disciplina e ética profissional para que possa dar certo.
Esta abordagem é oportuna, pois se o mundo digital é capaz de influenciar negativamente, temos a responsabilidade de inverter esta tendência e trazer a juventude para uma experiência regida por um conjunto inédito de princípios éticos baseado na origem desta mudança: a Internet. Devemos tirar proveito positivo dos avanços que a tecnologia trouxe para a nossa juventude e canalizar esta presença predominante dos mais jovens nas redes sociais para a transformação positiva da sociedade da qual fazem parte.
Devemos reconhecer que se o esforço para definir aquilo que está certo e errado no espaço físico/concreto levou séculos e ainda é uma questão controversa, no espaço virtual isto é uma tarefa ainda mais complexa. No entanto, definir, conhecer e aplicar um código de ética parece ser um bom caminho a seguir, pois somente assim - com base na segurança e confiança - será possível realizar negócios no ambiente digital e viabilizar o negócio que se pretende empreender.
A maneira como a juventude vive hoje foi adaptada, em muitos casos até mesmo transformada, à presença das redes sociais nas suas vidas e vice-versa. Diante disso, convém trabalharmos os desafios e dilemas inéditos que, como tudo na vida real (aqui devemos entender a palavra “real” como algo fora das redes sociais), podem pôr em risco o futuro desta mesma juventude usuária - por vezes viciada - e também, se devidamente aproveitada, pode transformar para melhor as vidas dos mais jovens tanto individualmente como no convívio em sociedade. Isto também é diversificação da economia.

* Director Nacional de Comunicação Institucional. A sua opinião não engaja o MCS.

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