Opinião

A magia das mudanças

Ângelo Feijó

Pese embora reconhecermos ser, de algum modo, arriscado fazer abordagem genérica, nos objectos e processos. Aliás, por isso, as mudanças têm os mais diferentes apelidos, como sejam mudanças políticas, económicas conceito “mudanças”, porquanto elas se verificam, com matizes diferentes, na natureza, na sociedade, ou nas pessoas, nas organizações, sociais, comportamentais, climáticas, etc.

Contudo, fazemo-la, assim mesmo, porque elas têm de comum à sua magia, pois, muitas vezes são ocultas e se manifestam cada vez mais repentinamente, quer queiramos ou não, quer sejam perceptiveis ou não, quer sejam positivas ou negativas na óptica de cada um, quer sejam lentas ou bruscas. As mudanças são tão mágicas, que por vezes, a alteração de uma só variável ou factor de um sistema ou de uma organização, engendra a modificação de todo sistema ou organização.
Fazemos esta abordagem com o fito de apelar às pessoas a identificar, perceber, acompanhar, se adaptar e, na medida do possível, influenciar, em vez de fazer resistência às mudanças, pois elas são tão seguras quanto a morte.
As mutações naturais e sociais, ou o desenvolvimento natural e social, podem ser explicados pelas famosas 3 leis dialécticas universais formuladas pela Filosofia, interrelacionadas, conhecidas como a lei da transformação dos câmbios quantitativos em qualitativos e vice-versa( expressa, em resumo, que todo objecto e fenómeno representam a unidade da qualidade e da quantidade e que alterações na qualidade até certo limite, pode levar a alterações na quantidade e vice-versa, resultando em saltos e algo novo), a lei da unidade e luta de contrários(fórmula, em síntese, que a todos os objectos e processos lhes são inerentes contradições internas, as quais constituem fonte de desenvolvimento) e a lei da negação da negação(negar o velho, o obsoleto, como um aspecto do desenvolvimento, sem destrui-lo absolutamente, mas preservando-se os seus aspectos positivos para facilitar o desenvolvimento subsequente). Evocamos estas, porque elas provam que tudo se modifica, depois de certo tempo, dando lugar a novos estados que também depois se modificarão. Estas leis, como se vê, estão no cerne da magia das transformações que conduzem ao desenvolvimento e são essencialmente objectivas e que por isso, não a vale a pena ignorá-las.
A propósito da forma como as empresas e as pessoas em geral, lidam com as mudanças, Bob Nelson e Peter Economy, na sua obra Gestão para Totós, distinguem 4 fases: A 1ª é da recusa da mudança, em que esta surge, mas muitos tendem a não tomar em consideração, recusando-se a aceitá-la, provavelmente, devido à incerteza, a insegurança e desconfiança que ela pode propiciar, ou seja, o receio do chamado day after. A 2ª diz respeito à resistência à mudança na qual, mesmo reconhecendo que ela é real, persiste-se em não adoptar os novos modos de agir que ela obriga. A 3ª se refere a exploração da mudança, na qual se reconhece que é inútil resistir preferindo-se, por isso, buscar formas de como tirar proveito delas. A 4ª fase é atinente à aceitação completa da mudança, e actuar em sua conformidade evoluindo nas novas condições, no novo status quo.
Na verdade, não é fácil para a maioria das organizações e das pessoas mudar hábitos, maneiras de trabalhar, agir e de estar muitos arreigados, e de sair da chamada “zona de conforto”, sobretudo, se for por imposição de alterações fora do seu controlo, isso é, por factores externos. Charles Duhigg, na sua obra “o Poder do Hábito”, refere, por exemplo, que os hábitos são tão poderosos quando se im-plantam profundamente, entre outras razões, porque o cérebro deixa de participar totalmente na tomada de decisões e as acções são feitas automaticamente e isso fornece certa comodidade, surgindo assim, a dificuldade de abandoná-los (ainda que sejam maus), e aceitar mudanças. Por exemplo, nesses dias, de pandemia do coronavírus, assistimos dificuldades de mudar os hábitos enraizados da forma de saudação entre as pessoas.
As mudanças são mágicas, pois independem da vontade das pessoas, porém, ainda que paradoxalmente, às vezes, elas exigem que alguém reconheça a sua presença e necessidade e tome-as em conta na condução dos processos e da vida.
Portanto, as organizações, assim como as pessoas individuais precisam analisar avaliar as reais e possíveis tendências de alterações a nível interno e externo. Há que melhorar os níveis de flexibilidade e previsibilidade, com base na melhoria constante das competências e na inovação, para se adaptar às mudanças presentes e futuras, que deverão significar evolução que beneficie a todos ou pelo menos à maioria.

* Licenciado em Ciências Sociais e em Gestão de Empresas

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