Opinião

A poluição marinha e os desafios de todos nós

Eduardo Magalhães |*

A poluição marinha é um fenómeno de elevada complexidade, pois ocorre de diferentes formas e também porque diariamente há uma infinidade de poluentes que vão desde o esgoto doméstico, industriais, lixo sólido, etc. Para além disso, há embarcações com óleo, substâncias químicas e outros produtos que vazam directamente nos rios, mares e oceanos.

Em Angola, o Ministério do Ambiente, através da Agência Nacional de Resíduos, está a tomar uma série de medidas preventivas e correctivas para que a nossa riqueza marinha seja protegida desta catástrofe silenciosa que acontece até mesmo quando a esperada chuva “varre as superfícies” e deposita os dejectos que desaguam e poluem o mar.
Em todo o mundo, estimativas revelam que cerca de 14 mil milhões de toneladas de lixo poluem os oceanos todos os anos. Angola acompanha os números mundiais, onde 83 por cento do lixo recolhido nas águas ou zonas costeiras são resíduos plásticos. Isso aponta também para factores de origem que vão da educação ambiental e até mesmo de higiene da sociedade, passando pela falta de infra-estrutura capaz de impedir este avanço.
Os impactos negativos decorrentes dos resíduos plásticos e de outra origem atingem as espécies costeiras, marinhas e seus respectivos habitats. Estes impactos são também económicos, pois atingem o ambiente e seus ecossistemas, a saúde humana e sua segurança, bem como sobre valores sociais.
No caso dos plásticos, estes constituem preocupação particular, pois produzem também os resíduos de lixo marinho que persistem por mais tempo nas águas. Assim, de alguma maneira, todos nós acabamos por ser alvo da repercussão negativa através da transmissão directa (consumo de peixes e frutos do mar) e indirecta (alterações ambientais e suas consequências).
A poluição marinha é um esforço que ultrapassa políticas específicas de um único Departamento Ministerial ou Governo. Apenas a título de ilustração, quando os navios petroleiros e os oleodutos vazam nas águas, podem causar contaminação e as substâncias lançadas nos oceanos prejudicam o desenvolvimento da vida marinha como um todo.
Nunca é demais lembrar que mares e oceanos de todo o mundo são interligados e isso justifica a afirmação de que o combate à poluição marinha deve ser entendido como uma acção global. Obviamente que devemos fazer a nossa parte e monitorar e fiscalizar as acções dos outros.
Parte substancial de alimentos oriundos da vida marinha também está a ser reduzida numa velocidade cada vez maior. Com o aumento da poluição, a vida marinha está ameaçada em diferentes partes do mundo. Há também os casos de transmissão de doenças através da contaminação dos seres vivos que habitam as águas e que servem de alimento aos seres humanos.
Por tudo isso, podemos concluir que o sucesso das acções do Ministério do Ambiente nesta vertente somente poderá ter resultados práticos se houver uma mobilização conjugada e transversal de todas as acções políticas em torno da prevenção e combate à poluição marinha. O debate sobre o tema e o esclarecimento à sociedade é importante passo para que esta meta possa ser atingida.

* Director Nacional de Comunicação Institucional.
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