Opinião

A preciosidade económica do tempo

Carlos Gomes

TEMPO, como palavra originária do latim “tempus”, pode ser resumido como sendo “o espaço entre o começo e o fim de um acontecimento”. A relevância do tempo levou à conotação económica segundo a qual “o tempo é um recurso escasso não renovável”, se associado ao jargão inglês “time is money” (tempo é dinheiro), eleva e releva a sua importância, apelando à sua utilização racional, pois, apesar de não ser tangível ou palpável, permite determinar a realização de algo num determinado prazo. Erradamente, há quem defenda que um minuto desperdiçado pode ser recuperado.

O certo mesmo é que um minuto perdido não se recupera nunca, pois o minuto que pode parecer ter sido recuperado é, em rigor, outra unidade de tempo, que deve ter, sim, outra utilidade.
É comum, hoje, não se dar a importância devida ao tempo, mesmo com relógios de alta precisão, calendários em “smartphones” e outros “tablets”, sem falar-se da amálgama de planos, programas e projectos, com datas e cronogramas eximiamente desenhados, mas que têm sempre uma razão (in)justificada para se explicar o seu atraso ou adiantamento. A explicação é simples como isso: ausência de rigor na observância do tempo, como tão bem o fazem outros países, Inglaterra, Alemanha e o Japão, “campeão” mundial da disciplina na observância rigorosa do tempo pela cultura da pontualidade.
Dentre as várias razões que avultam na justificação injustificada da inobservância do tempo, ressalta-se a macrocéfala das instituições públicas de atendimento ao cidadão (requerendo ajustamento à nova realidade); má assimilação (deliberada) de servidores públicos quanto ao seu verdadeiro papel de “civil servant” – “assumindo-se”, por vezes, como “proprietários” de pelouros sob sua tutela (temporária); ausência de inquéritos regulares sobre o grau de satisfação dos destinatários do serviço público; existência ainda de zonas cinzentas (promiscuidade) servidor público versus agente económico; excesso de zelo relativamente à “necessidade”- obrigatoriedade de licenças/autorizações para quase tudo, circunstâncias que concorrem para a restrição das liberdades económicas, actuando em contraposição ao desiderato perseguido pelo Presidente da República na sua agenda de diplomacia económica, visando a melhoria do ambiente de negócios – posição 175 de 190 países.
O raciocínio sobre a preciosidade do tempo aplica-se, igualmente, à necessidade do repensar urgente sobre o protocolo reservado a algumas entidades também dignas dessas honras. A situação é mais sintomática nas províncias, que se assemelham a “tolerâncias de ponto”, sempre que titulares de departamentos centrais se deslocam por vários motivos a tais localidades, repercutindo-se no estrangulamento de calendários dos representantes locais. A tais cerimónias, deve(ria)m ser convidados a participar (apenas) os responsáveis mais directamente ligados ao objecto e natureza da missão da personalidade visitante, devendo os demais prosseguir e cumprir com afinco as suas tarefas, pois, hoje mais do que nunca, o cidadão carece de soluções, desobrigadas das ditas “ordens superiores” e dispensa a promessas inócuas.
Por fim, mas não menos importante, um olhar ao papel das nossas missões e representações diplomáticas no exterior, exigindo-se delas proactivida-de na cobertura, ao máximo que puderem, de eventos em que se requeira a presença e participação do nosso país, desde que o nível de representação não “belisque” os propósitos perseguidos, poupando assim tempo e recursos financeiros aos cofres do Estado, para a cobertura de despesas (evitáveis) de delegações ministeriais, não poucas vezes “gordas” em demasia na sua composição.

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