Opinião

A abertura dos media e os novos desafios

Diogo Paixão |

O ano que terminou foi marcado por mudanças políticas que tiveram um reflexo positivo no comportamento dos media, um dos barómetros fundamentais das sociedades modernas.

Jean Bertrand Claude, respeitado professor do Instituto Francês de Imprensa da Universidade de Paris, dizia que uma imprensa mutilada torna-se num “instrumento de estupidificação e de doutrinação”.
Thomas Jefferson foi mais incisivo ao afirmar que se tivesse que escolher entre ter um governo sem jornais e jornais sem governo não hesitaria em escolher a segunda opção.
O terceiro presidente norte-americano  e principal autor da Declaração de Independência dos Estados Unidos quis simplesmente destacar o papel da comunicação na construção e desenvolvimento das sociedades.
Em Angola, durante muitos anos, a comunicação social pública foi demasiado instrumentalizada e, até certo ponto, refém de vontades alheias, confundindo-se com propaganda. No oposto, alguma imprensa privada pecava por excesso, através do sensacionalismo, calúnia, difamação e abuso da liberdade de imprensa. A mudança ocorrida no país com a realização das eleições gerais de 23 de Agosto trouxe um novo paradigma. Hoje respira-se outro ar nas redacções e, consequentemente, há maior abertura e transparência.
O Jornal de Angola já não é aquele “pasquim” em que a “única verdade” era a data. É mais atractivo, com uma diversidade de temas, reportagens algumas outrora impensáveis e opiniões de colunistas com outros pensamentos políticos, o que faz aumentar a pluralidade e a sua credibilidade.
Os noticiários das rádios e televisões também registam maior audiência devido às melhorias introduzidas nos seus serviços de informação. Parece haver cada vez menos interesse em recorrer a canais estrangeiros para saber o que se passa em Angola, como acontecia até há bem pouco tempo.
Os jornalistas, que um dia alguém chamou de “escrevinhadores”, recuperam a sua dignidade e respeito. Nesta altura se se fizesse alguma sondagem, certamente a cotação dos medias seria alta.
Mas longe de nos embalarmos em emoções que geralmente as mudanças provocam, a nova realidade convida-nos para maior responsabilidade e mais profissionalismo, porque a informação, além de ser uma mercadoria, é, acima de tudo, um serviço público que requer a verificação prévia, o respeito pelo bom nome, pela privacidade e pelo segredo de justiça. />Na tomada de posse dos novos administradores das empresas estatais de comunicação social, o Presidente da República recordou que “não há democracia sem liberdade de imprensa”. Fazendo jus à sua promessa eleitoral, João Lourenço deu sinal para uma imprensa mais acutilante, dinâmica e inovadora, capaz de contribuir para “corrigir o que está mal e melhorar o que está bem”.
Na verdade, existe uma relação simbiótica entre democracia e imprensa. Não se pode falar de democracia sem uma imprensa livre. São dois conceitos que constituem os pilares político-jurídicos mais importantes do Estado Democrático de Direito. A ausência de um pressupõe a impossibilidade do Estado Democrático de Direito existir em toda a sua plenitude.
O papel da imprensa na conquista e preservação de valores como a  liberdade, a segurança, o bem-estar, o desenvolvimento, a igualdade e a justiça é inquestionável.
Os países que mais rapidamente se desenvolveram são os que têm uma imprensa aberta e dinâmica. Esta permite que a sociedade conheça os seus problemas, os  debata e formule alternativas que, colectivamente, possam dinamizar a economia e a estrutura social, pois não é encobrindo verdades que se desenvolvem as nações.
Os novos rumos que o país está a viver devolveu a esperança aos angolanos. Psicologicamente diminuiu o impacto da crise económica, porque as pessoas estão animadas com o desempenho do novo Governo e a comunicação social tem acompanhado esta dinâmica.
Novos desafios e ambições batem à porta dos jornalistas. Pensando na relação comunicação e desenvolvimento, os medias podem desempenhar um papel central estimulando e acelerando dinâmicas, sobretudo numa época em que o fenómeno das redes sociais veio alterar completamente a maneira de comunicar, abrindo espaço para as falsas notícias, as famosas “fakenews”, onde sob a capa do anonimato se divulgam mentiras e meias-verdades que estão a preocupar as autoridades e os povos das sociedades modernas tal o seu impacto.
Daí a responsabilidade crescente dos órgãos de comunicação social tradicionais em respeitarem os princípios básicos do jornalismo para a sua credibilidade ao invés de irem na onda do muito que é instantaneamente publicado nas redes sociais.

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