A batalha da reconstrução em Angola

Gustavo Mavie
26 de Junho, 2009

Quando a 18 deste Maio último, dei conta, ainda no Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo, que cerca de metade dos passageiros do super-jumbo sul-africano com que iria viajar para Angola eram chineses e indianos de caras indelevelmente maquilhadas pela poeira do cimento, mãos calejadas tipicamente de operários da construção civil, voltei a recordar-me do que havia lido o ano passado, numa das edições do jornal britânico “Financial Times”, de que a (re)construção de Angola está  sendo feita à velocidade da luz, sob a égide do seu Governo.

 

Quando a 18 deste Maio último, dei conta, ainda no Aeroporto Internacional Oliver Tambo, em Joanesburgo, que cerca de metade dos passageiros do super-jumbo sul-africano com que iria viajar para Angola eram chineses e indianos de caras indelevelmente maquilhadas pela poeira do cimento, mãos calejadas tipicamente de operários da construção civil, voltei a recordar-me do que havia lido o ano passado, numa das edições do jornal britânico “Financial Times”, de que a (re)construção de Angola está  sendo feita à velocidade da luz, sob a égide do seu Governo.
Já depois de desembarcar no Aeroporto de Luanda - ele próprio em obras de reabilitação e expansão - dei ainda conta de uma frase estampada num dos vários painéis publicitários, em que se cita o Presidente José Eduardo dos Santos, a instar os seus compatriotas a fazer de Angola um canteiro de obras, em prol da sua rápida (re)construção. Muito embora não fosse esta a primeira vez que ia a Angola, o certo é que quando olhei, apercebi-me de que Luanda era outra e bem bonita que aquela que conheci ao longo dos anos em que o país esteve em guerra.
O que Luanda e o próprio país em si são hoje é de facto mais do que um canteiro para ser todo o país que está transformado num parque de máquinas de construção civil. Por alguns instantes tive a sensação de que estava na China, dado que também neste país obras em é o que há demais.
Já antes de desembarcar, havia ficado pasmado quando, ao sobrevoarmos o Porto de Luanda,  apercebi-me que estavam atracados nele dezenas, senão mesmo centenas de navios de todos os tamanhos. Por instantes, cheguei a pensar que talvez tivéssemos sido desviados por algum pirata aéreo, para um outro país, já que, não é normal ter-se num porto de um país africano - exceptuando obviamente a África do Sul - tantos navios como os que estava vendo naquele momento.
Tentei contá-los, mas até à altura em que o avião poisou na pista de aterragem, estava ainda nos 100 e bem longe de contar todos. Por algum tempinho cheguei a pensar que estivéssemos no movimentadíssimo Porto de Hong-Kong.
Só que, o que eu estava vendo aí, era afinal apenas o começo do que mais tarde iria ser a prova dos nove e real, de que em Angola se trava de facto uma verdadeira batalha pela (re)construção deste país tão abençoado com tantas riquezas, e vão desde jazidas de petróleo, passando pelos seus famosos diamantes, até aos recursos agro-florestais e marinhos, mas cujo povo se via condenado a viver tão pobremente por causa da guerra que o afectava.
Outro aspecto que não escapa a quem chega a este país através do seu aeroporto na capital é a numerosa frota de gigantescos aviões nacionais e estrangeiros que também se encontram estacionados e que uma vez mais me levou também a pensar mesmo que devíamos ter sido desviados para outro país do além África.
Quando já estava em terra firme e a caminhar para a pensão em que iríamos estar, e vi que estávamos de facto em Luanda, aí já vi que este movimento de navios, aviões e legiões de construtores vindos de todos os cantos do globo era prova de que o Governo de Angola havia de facto transformado o país no tal canteiro de obras.
De facto, pude ver “in loco” que Angola é uma verdadeira Meca dos construtores de todo o mundo, e que o país virou de facto um parque de máquinas e equipamentos para a construção civil e para outro tipo de obras de grande envergadura, como a construção de auto-estradas, pontes e caminhos-de-ferro. Em Angola o governo local está  a investir biliões de dólares.
Por todo o lado onde se passa, seja de dia ou de noite, é só obras atrás de obras em construção acelerada ou já na fase conclusiva, como é o caso dos quatro estádios que irão acolher o CAN-2010, porque no caso dos construtores chineses, estes trabalham tanto à luz do sol como da lua e, se necessário, à luz das velas. De um modo geral, eles é que estão fazendo as maiores obras, como a reconstrução da linha-férrea que liga o Porto do Lobito à Zâmbia, e que servirá vários países da região, incluindo Moçambique. Esta linha estava paralisada pela guerra da UNITA, desde 1975, e a sua reabilitação agora custará dois biliões de dólares, sem incluir a aquisição de novas locomotivas.
A aposta do executivo de Zé Dú, como os angolanos chamam ao seu Presidente, é erguer dos escombros da guerra, uma nova e vibrante Angola que esteja em pé de igualdade mesmo com a poderosa África do Sul  e que faça uso racional dos tais seus imensos recursos naturais, para deixar de estar sentado nessa potencial riqueza, mas pobre, e ser de facto um país rico que é.
Uma das suas metas imediatas é reconstruir tudo o que foi destruído ao longo dos 30 anos em que Angola esteve em guerras sucessivas, ao mesmo tempo que se deve ir construindo novas estruturas que nunca antes existiram como novas habitações para acomodarem os milhões de angolanos sem casa.
É nesta senda que o Governo irá construir nos próximos cinco anos mais de um milhão de residências, para além de outras infra-estruturas, como escolas, hospitais e estádios de futebol.
Na verdade, nos últimos seis anos de paz, poderá ter-se construído mais infra-estruturas sociais para servir o seu povo do que se havia feito em todos os 500 anos em que Angola esteve sob colonização portuguesa.
Pude ver isso em Luanda assim como durante a deslocação que fiz ao Lobito e à província de Benguela, situada a 500 quilómetros a Sul da capital angolana.

 
 (*) Jornalista da AIM (Agência
 de Informação Moçambicana)

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