Opinião

A economia soma e segue

Carlos Gomes |*

Na parte introdutória do relatório do FMI, datado de Maio, sobre a avaliação do desempenho positivo da economia angolana, que estima um crescimento de 2% para 2018,  sugere que: “O desafio das economias ricas em recursos naturais, como Angola, é o de transformar os recursos subterrâneos (petróleo) em recursos produtivos na superfície, incluindo activos financeiros e de capital humano...”

Do mesmo modo, a Moody’s Agência de Avaliação de Risco, “elogia o Executivo do Presidente João Lourenço na condução das reformas em curso, que têm contribuído na melhoria do Ambiente de Negócios...”, visando resgatar a confiança que o país vinha perdendo por associação de factores que enferma(va)m a economia angolana: corrupção generalizada, nepotismo, impunidade, entre outros.
 Porque a honestidade intelectual deve no mínimo levar-nos a olhar “com olhos de ver”, a sensatez dos actos e nitidez dos factos, passados pouco mais de oito meses da entrada em funções do novo Executivo, concluiremos que a nossa economia está numa curva ascendente de reposição dos níveis de confiança perdidos perante instituições e comunidade financeira internacional, à despeito daqueles que, teimosa e preconceituosamente, procuram ainda ajustar a “dioptria das mentes” perversas, que não lhes permite enxergar pela positiva esse mesmo desempenho (reconhecido além fronteiras), mesmo em presença dos factos e actos de registo recentes:
Ganhos políticos e financeiros obtidos durante o périplo efectuado pelo Presidente da República  à França e Bélgica, cuja intenção de integração de Angola à Commonwealth, mereceu o imediato e incondicional aplauso daquela organização; concorrida participação nos fóruns empresariais decorridos em Paris e Bruxelas, com o encaixe  de um pacote financeiro acima de 1,5 milhões de euros, e ganhos adicionais nas áreas de formação; optimizaçāo do preço dos diamantes brutos de Angola na bolsa de Antuérpia, (que vinham sendo vendidos ao desbarato pela acçāo de “dumping” por um monopólio de triste memória); rubrica do acordo entre a Sonangol e Total  para a reabilitação da Refinaria de Luanda, visando o aumento da produção de gasolina destinada ao mercado interno, para o estancamento da hemorragia de biliões de dólares (mal) empregues na importação desse produto; selecção de empresas candidatas à construção (finalmente) da refinaria do Lobito; discussões acaloradas em sede da implementação do IVA – Imposto sobre Valor  Acrescentado. A propósito do IVA, por se tratar de uma matéria controversa face ao nosso actual contexto macroeconómico, recomenda-se muita prudência e ponderação.
 A oportuna intervenção do Estado por via do Decreto Presidencial datado de 18 de Junho, que no exercício pleno e exclusivo do seu papel de regulador do mercado quando em presença de graves distorções e desequilíbrios  na relação entre a oferta e procura, ao introduzir alterações ao regime de importação de viaturas usadas, estabelecendo seis anos para viaturas ligeiras e dez para pesados – matéria que requererá o necessário ajustamento da carga fiscal que incidirá sobre as mesmas à luz da legislação em vigor, para que corresponda ao espírito e letra do Decreto Presidencial, é outro facto inequívoco indicador da marcha irreversível da economia angolana, visando retirá-la da situação de estagflação, reforça o seu compromisso às boas práticas de transparência, pois, remove-se assim mais um grande obstáculo ao desenvolvimento sócio económico, deliberadamente introduzido pelos “cartéis” que dominavam a importação de viaturas novas – maioritariamente adquiridas pelo sector público, com pouca ou quase nenhuma serventia aportada ao sector produtivo, embora o peso tivesse sido, anos a fio, suportado (infelizmente) pelo Orçamento Geral do Estado...!!

*Economista
 

Tempo

você e o jornal de angola

PARTICIPE

Escreva ao Jornal de Angola.

enviar carta

Multimédia