Opinião

A importância da escola no futuro dos angolanos

Um país, como o nosso, onde há crianças impedidas de estudar, por razões de vária ordem, corre o risco, no mínimo, de hipotecar o futuro e dividi-lo em dois grupos, o de afortunados e o dos outros.

Angola corre esse risco se não for rapidamente invertida a situação, criada - e incentivada, - por mentes perversas de uma minoria que, sem ter feito nada de honroso para isso, se viu, de repente, bafejada por benesses ultra generosas que as colocou no rol de intocáveis. Acima do quer que seja, que não os interesses pessoais norteados por princípios da luxúria, egoísmo, indecência, imoralidade, egocentrismo, impunidade. Alicerçados, sempre, em adobes do nepotismo feitos das mais diversas lamas, mesmo que cobertos de ouro e cravejados de diamantes. 
Neste momento, a exemplo de anos anteriores, há milhares de crianças em vários pontos do país que não estudam por não haver salas, material escolar, quem as ensine a ler e a escrever. O que as torna vítimas do desrespeito pelos direitos - não favores - que têm e estão consagrados na nossa Constituição e por organismos internacionais.
O adiamento daqueles direitos ultrapassa os limites do bom senso. É, entre tantas coisas, o desaproveitamento de uma das nossas maiores riquezas: as crianças. Referidas tantas vezes para florear discursos de ocasião desprovidos de sinceridade, como “o futuro de Angola”. Que amanhã podem elas esperar de um presente que lhes é sonegado e apenas lhes mostra os atalhos da ignorância, da discriminação?
O que hão-de elas pensar, quando, numa espreitadela pela janela ou porta entreaberta da cantina, virem no aparelho de televisão outras crianças na escola a aprenderem o que lhes é negado? E que imaginarmos nós, os cidadãos comuns, do desespero dos pais e mães sem palavras para lhes explicar que também eles e todos os antepassados, desde os tempos mais remotos, viram sucessivamente sonhos desfeitos pelo egoísmo?
Em meu deambular pelos caminhos do pensamento tropeço na notícia da decisão, recente, dos deputados à Assembleia Nacional aprovarem em proveito próprio uma série de decisões. Que sublinham, para que o povo não esqueça, que eles são grupo à parte. Apenas para as despesas da manutenção das viaturas que lhes foram entregues, destinaram-se, para este ano, 387 milhões de kwanzas!  Quantas escolas podiam ser feitas para haver menos crianças sem hipóteses de aprender a escrever e ler? Não sei, mas eles talvez saibam.
O que pensarão alguns destes “representantes do povo” se um dia virem, na berma da estrada, uma criança de olhos tristes, que não sabe escrever, nem ler, por não ter onde aprender, nem quem a ensine? Que, por pertencer ao grupo dos deserdados da sorte, há-de palmilhar os mesmos atalhos calcorreados por pais e  todos os antepassados. Sem horizontes além da lavra, da fogueira em noites de Cacimbo, das estrelas sem anúncios de boas-novas?
Nesta fase do país, que se pretende nova, os sacrifícios exigidos - e necessários - têm de ser repartidos pelos que realmente querem que este país seja para os vindouros melhor do que o que temos. Mas, jamais, nesta operação aritmética, de somar entregas, determinação e sacrifícios a dividir por todos, podem, em nenhuma parcela, haver crianças. A não ser como resultado final. Constituído por exemplos de solidariedade.
Educação e Saúde são, em qualquer país moderno - ou que pretenda ser -, as bases do desenvolvimento. Sem aqueles dois sectores a funcionar em pleno não há programa de modernidade que o sustente e o torne verdadeiramente independente de interesses externos. Angola não foge à regra. E muito acima de aparências e vaidades bacoca estão os interesses nacionais.

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