Opinião

A importância de Angola na diplomacia internacional

Victor Carvalho

A recente deslocação à Europa do Presidente João Lourenço, entre outras coisas, relevou mais uma vez a importância do papel que Angola desempenha no contexto da política internacional, um facto que traz acrescidos, mas aliciantes, desafios para a nossa diplomacia no sentido de acompanhar a “pedalada” e a visão estratégica do Chefe de Estado.

Para lá da promoção da imagem de Angola junto do mundo dos negócios, através da utilização de um discurso simples mas incisivo, o Presidente João Lourenço teve o mérito de deixar mais uma vez bem vincada a incontornável importância do nosso país nos meandros da política internacional, sem qualquer limitação de barreiras regionais ou continentais.
Em França, na audiência que o Presidente João Lourenço teve com o seu homólogo, Emmanuel Macron, ficou claro o papel determinante que Angola desempenha para a pacificação dos problemas que afligem a região dos Grandes Lagos.
A importância desse papel como que incentivou, aliás, o Presidente francês a anunciar, no final da audiência com João Lourenço, o seu apoio a uma iniciativa regional da Organização da Unidade Africana para, segundo disse, “encontrar um caminho para a paz na RDC”.
Este anúncio irritou as autoridades congolesas, que mais preocupadas ainda ficaram com o anúncio de que Angola se preparava para formalizar a sua adesão à Organização Internacional da Francofonia, obviamente que com o beneplácito da França.
De França, o Presidente João Lourenço seguiu para a Bélgica para mais uma visita marcada por uma agenda oficial bem recheada, onde o mundo dos negócios e da política se entrelaçaram, de modo diplomaticamente irrepreensível, ao ponto de deixar a Europa bem atenta ao que se estava a passar.
Sinal dessa atenção, aliás, foi dado pela chanceler alemã, Angela Merkel, que por essa altura estava em Portugal onde, segundo a imprensa lusa, terá pedido ao primeiro-ministro António Costa informações sobre o modo como ele estava a ver o actual período de transição política em Angola.
Mas não só a Europa está atenta ao que se está a passar em Angola. Em África, Paul Kagame não ficou indiferente ao sucesso da viagem de João Lourenço à Europa.
Num gesto altamente significativo, o actual Presidente em exercício da Organização de Unidade Africana não hesitou em viajar para a França e a Bélgica para se encontrar, precisamente, com as mesmas entidades que haviam recebido o Chefe de Estado angolano.
O objectivo desta viagem só pode ser um: não perder a carruagem de um comboio que Angola conduz de modo cada vez mais afirmativo, na missão de ajudar a resolver o problema da RDC e da região dos Grandes Lagos.
Esse empenho justifica-se não só pela longa fronteira existente entre os dois países, como também pelo facto de Angola presidir actualmente ao órgão de Política, Defesa e Segurança da SADC o que lhe confere responsabilidades acrescidas na busca da paz, lá onde ela estiver em perigo.
Mas a prioridade política de Angola no continente africano não se esgota na tentativa de resolução do problema da RDC, mas também na consolidação do papel que desempenha no seio da SADC onde, juntamente com a África do Sul, joga um papel incontornável para os esforços de desenvolvimento desta organização regional.
Aliás, o Presidente João Lourenço não podia ser mais claro quando na entrevista concedida à Euronews disse que Angola está cercada, não por países lusófonos mas por países francófonos e anglófonos e que, por isso, ninguém poderia ficar admirado se depois de pedir agora a adesão à francofonia, Angola não esteja daqui a uns dias a pedir também a adesão à Commonwealth.
Uma adesão que, ainda antes de ter sido solicitada já tacitamente aceite pelo ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Boris Johnson, que disse ser uma honra para a organização acolher um país da importância de Angola.

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