A tradição francesa e as relações com Angola

Belarmino Van-Dúnem |
6 de Julho, 2015

A França é uma verdadeira potência económica e militar, destacando-se como o Estado director da União Europeia em parceria com a Alemanha. A França é quinta maior economia mundial e com 76 por cento do seu produto interno bruto baseado nos serviços.

É o segundo maior exportador de serviços no mundo, mas destaca-se també como o quarto maior exportador mundial de produtos agrícolas, embora seja necessário frisar que 70 por cento do comércio da França é efectuado com os países da União Europeia.
A França é o país europeu que tem implantação política, cultural, económica e histórica em África. O Reino Unido e outros países europeus que colonizaram os povos de África depois das independências tiveram um corte com as novas administrações, mas a França criou um mecanismo de assessoria administrativa e económica que permitiu a continuidade da sua presença nas 14 ex-colónias. O desenvolvimento político e social de África criou altos e baixos para o domínio francês no continente. Nunca é demais frisar que até ao início da década de 90 a maior parte das políticas do bloco ocidental em África eram coordenada pela França.
Mas o fim da Guerra Fria trouxe para os Estados africanos a economia de mercado e o multipartidarismo. A inserção no sistema internacional mais plural deu aos Estados africanos uma maior diversidade de parcerias, sobretudo com a entrada dos EUA no mercado africano no que respeita à exploração de recursos. Com isso a presença francesa foi afectada, de tal modo que até 1990 havia cerca de nove mil cooperantes franceses em África e o número baixou para cinco mil em 1995. Houve uma grande retracção da política externa francesa, inclusive ao nível da defesa e segurança. Paris chegou mesmo a retirar-se da Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o regresso foi feito apenas com o Presidente Sarkozy.
A presença francesa em África é tradicional e existe uma grande ligação cultural. Largas centenas de africanos expressam-se em francês, e não só nos países africanos de expressão francesa. Existe um número considerável de quadros e profissionais africanos que receberam a sua formação nas escolas francesas.  Mas, apesar desta tradição francesa em África, a verdade é que a China tem vindo a ganhar terreno, fruto de um maior pragmatismo no seu relacionamento com os Estados africanos.
Em Angola a França está presente sobretudo no sector petrolífero. A Total é um dos parceiros principais da Sonangol. Entrou no mercado angolano antes da independência, mas as clivagens da política externa francesa provocaram desequilíbrios no relacionamento. Tendo em atenção as potencialidades da França nos sectores da agro-indústria, prestação de serviços e ensino, Angola almeja outros patamares na cooperação para além do sector petrolífero. O Presidente José Eduardo dos Santos apontou três prioridades: a reabertura do Instituto para o Desenvolvimento francês, o sector da agro-indústria e a formação de quadros angolanos.
O novo ambiente político entre os dois países deve ser aproveitado pelos empresários para intensificar emas parcerias. O exemplo da Total é significativo, porque conseguiu atravessar toda a história de Angola, apesar das clivagens políticas. No caso de França, os três tipos de vantagens da cooperação com Angola existem, nomeadamente, as complementares, as comparativas e as competitivas. 
Angola deve continuar a intensificar a diplomacia económica e a divulgar as potencialidades existentes no mercado angolano, incluindo a legislação de protecção do investimento estrangeiro. Um bom ambiente de negócios é essencial para captar o investimento directo estrangeiro. A inserção de Angola na SADC e na CEEAC é também uma mais-valia para o investidor. Na perspectiva de o continente avançar para a União Aduaneira, o território angolano oferece um mercado muito maior. A França, que tem pouca implantação na África Austral, pode encontrar em Angola o ponto de partida.
Há uma mudança na estratégia francesa para África, já que a preferência recaia antes, quase sempre, para as suas ex-colónias. Os actuais parceiros estratégicos de França em África são a Nigéria e África do Sul. Mas o investimento em Angola é diferente, porque o saber fazer e a experiência da indústria francesa podem ocupam um lugar pioneiro e conseguir um futuro com perspectivas promissoras.

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