Opinião

Abel Robin Epalanga Chivukuvuku Hood

Santos Vilola |

Do que me resta da campanha como lembrança é o paralelo que fiz ao reflectir sobre a candidatura de Abel Epalanga Chivukuvuku a Presidente da República pela CASA-CE.

O líder da coligação de partidos políticos impressionou pela reinvenção da sua própria pessoa que era muito conhecida dos cidadãos no início da triste década de 90.
Abel Chivukuvuku reinventou-se. Porque foi o único na UNITA que percebeu que a herança da guerra era demasiado pesada para aquele partido. É que, depois de Jonas Savimbi, Abel passou a ser o mais visível daquele grupo por conta de um brocado que criou em plena implementação da paz que ele nunca, nos dias de hoje, esclareceu ou corrigiu o contexto das palavras ou pediu perdão, para viver de consciência tranquila. Deixou assim. "Vamos somalizar (...) Angola". Aposto que essa insinuação até hoje consome e mancha a consciência dele próprio.
E como um "herdeiro" pode renunciar, em todo ou em parte, à herança - é livre de o fazer -, Chivukuvuku, sem partido, tomou a dianteira em deixar a UNITA  e criar uma coligação de partidos, também atípica, contribuindo apenas "com o seu próprio corpo". Uma coligação pré-eleitoral que passou a pós-eleitoral e que pode ser eterna.
À frente desta coligação - resignado à impossibilidade de alterar o nome UNITA para se ver livre da "mancha de sangue" - Abel Chivukuvuku vende sonhos, faz promessas, é real, é surreal, impactante, incisivo, ingénuo, genial... Tudo ao mesmo tempo. Mas uma desculpa, com o fundamento em contexto, ficava-lhe bem para a justificação da tal de "somalização".
O que ressaltou foram as promessas, para mim, semelhantes às de Robin Hood (dos Bosques) - o paralelo que fiz -, herói mítico inglês que roubava da nobreza para dar aos pobres. Era um herói, mas não era poder. Logo, se a lógica for essa, o seu discurso parece de alguém resignado à concorrência da "alta política", mas que promete dar aos pobres aquilo que conseguir tirar de quem for poder no período 2017-2022. Vai autorizar o garimpo a balde de diamantes, a exploração de petróleo por aldeões do Norte do país...
E essa de ver os eleitores como pobrezinhos é errado. Há eleitores ricos, como aqueles a quem foi colocado o desafio de repatriar os capitais dos diamantes de sangue. Esses também vão votar. Agora, se vão trazer de volta os dinheiros dos diamantes de sangue em forma de investimento, não sei. Perguntem a quem for o vencedor. Aliás, foi a provocação em jeito de "denúncia" jamais vista/ouvida para mim nesta inebriada campanha, e ninguém ousou responder até hoje. Diz o ditado português " A quem servir a carapuça que a enfie na cabeça". Abel Epalanga Chivukuvuku reinventou-se e está mais perto de ser o Robin dos Bosques dos políticos angolanos. Eu acredito em reinvenções?! Acredito.

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