Opinião

Abertura sim mas sem arruaça

Carlos Calongo

Quando no próximo dia 26 do corrente mês, Angola e os angolanos comemorarem o segundo ano da investidura de João Manuel Gonçalves Lourenço, como Presidente da República e Chefe do Executivo, eleito no quadro das eleições gerais, realizadas ao abrigo do Artigo 143º e seguintes da Constituição da República de Angola, promulgada em 5 de Fevereiro de 2010, estaremos focados na realização de balanços.

Mais do que um acto memorável, a cerimónia representou significativas e indeléveis alterações na história do povo angolano, que viu ser investido no mais alto trono da República o terceiro Presidente, desde que o país alcançou a Independência, proclamada em 11 de Novembro de 1975.
No discurso de tomada de posse, como que o lançar do fio condutor da política nacional que daí em diante seria observada, dentre muitas coisas, o Presidente da República aludiu o assinalável progresso no que respeita à qualidade da informação que o País registou nos últimos 15 anos, ao mesmo tempo que mostrou ter consciência de que ainda havia (há) muito por fazer e que estamos longe de atingir o ideal nessa matéria.
Aos servidores públicos, João Lourenço apelou “para que mantivessem uma maior abertura e aprendessem a conviver com a crítica e com a diferença de opinião, favorecendo o debate de ideias, com o fim último da salvaguarda dos interesses da Nação e dos cidadãos”.
Aqui bate um dos pontos desta reflexão porquanto, de certas ocorrências na nossa sociedade, parece que o “apelo” de João Lourenço, que teve o cuidado de referir no discurso em alusão, que estava a ser investido com o sentimento de ser Presidente de todos os angolanos, foi mal entendido por uns e pior interpretado por outros.
A título de exemplo, julgamos infundada a razão do grupo de jovens que há tempos decidiu realizar uma manifestação tendo como base ou seja, “palavra de ordem”, “ Queremos os nossos empregos”, como se de algo tangível se tratasse e que estivesse guardado algures numa gaveta dos armários do Palácio Presidencial.
Não deve, a referida questão, ser interpretada à luz do Artigo 51º da Constituição da República de Angola (direito à greve e proibição de lock out), porquanto o espírito do legislador esteve focado no trabalhador e a sua relação com a entidade empregadora, o que retira qualquer acolhimento deste artigo ao exercício dos jovens em referência.
E caso nos reportemos ao Artigo 47º e correspondentes alíneas 1 e 2, da supra mencionada Lei Magna, a razão que por hipótese assiste aos jovens para o exercício de manifestação perde sentido no uso do raciocínio lógico, a considerar que para se ter um emprego tem que se fazer por ele.
Quem dera que a onda pegue e os desejos e/ou necessidades sejam atendidas por via de meras manifestações, ignorando-se os aspectos indispensáveis para a concretização de uma pretensão, que para o caso em apenso pode assentar no binómio formação-competência!
Sendo o exemplo acima exposto apenas um dentre muitos que, analisados com profundo sentido de coerência, nos remetem à simples conclusão de que, determinados cidadãos, se não interpretaram mal o discurso do Presidente João Lourenço, agem de forma deliberada e dolosa no afã de macular o novo paradigma de gestão iniciado com a liderança do Presidente João Lourenço. Será apenas incompreensão?
Não nos move qualquer sentimento de discórdia com a necessidade obrigatória do Estado fomentar acções para promover emprego à juventude, que é tão-somente o maior núcleo da configuração demográfica angolana, de acordo com os dados recentes disponibilizados pelo Instituto Nacional de Estatística.
Todavia, a justeza das reclamações de quem quer que seja, entendido isso no quadro de aberturas ou seja qual for a designação, deve estar emparelhada com a lógica da razão, de modo que as motivações reais não sejam dúbias ou criem embaraços que mexem com os interesses comuns, dos quais a estabilidade e soberania nacionais, pelas quais somos todos impelidos a encetar combate cerrado.

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