Opinião

Adenda ao combate à corrupção

Carlos Calongo

Dentre as muitas e variadas interpretações possíveis em torno da campanha pública para a moralização da sociedade angolana, lançada pelo MPLA, no sábado, na tenda do Hotel de Convenções de Talatona, acolhemos a que faz título desta reflexão que, com gosto, partilhamos com o augusto leitor, de que é mais uma adenda ao já em curso processo de “combate à corrupção.”

Ou seja, a referida campanha vem reforçar aquilo que representa um dos estandartes do mandato do Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, e, ao existir, os avanços/recuos, motivações/desmotivações, expectativas/ frustrações, que devem permanecer como o fio-de-prumo do que se pretende estancar numa luta sem quartel, contra o nepotismo, a bajulação, a impunidade etc, que são práticas nocivas para qualquer sociedade, apesar do “estatuto” que, erroneamente, granjearam na nossa recente história político-social.
Para os que pensaram no abrandar da marcha, por analogia com a fogueira que perde as labaredas, a implementação da referida campanha de moralização da sociedade tem a missão de recordar que, na sua plenitude, o combate à corrupção é um processo que vai para lá da “batalha nos corredores dos órgãos de justiça”.
Nesse entendimento, ao evocar como um dos objectivos do processo “garantir um futuro melhor e bem-estar das famílias angolanas”, mais do que uma actividade permanente do MPLA, todos os cidadãos devem se sentir mobilizados para esta causa nacional, com olhar optimista e positivo, pois os resultados, a todos os níveis, devem, no final de tudo, caracterizar o estado de alegria e satisfação dos cidadãos.
Se é factual que existem os instrumentos jurídico-legais aprovados para combater a corrupção, o repatriamento coercivo de capitais, o branqueamento de capitais e demais legislação; outro valor supremo desta campanha prende-se com a necessidade de os cidadãos auto incentivarem-se a “denunciar as práticas lesivas e promover os valores morais, cívicos, éticos e, acima de tudo e sobretudo, o patriotismo”.
Agir assim é, de facto, um acto a louvar, pois o que está em causa é a necessidade de estancar não só a corrupção, de forma isolada, mas todas as más práticas que configuram fenómenos problemáticos da nossa contemporaneidade, para os quais o olhar analítico e crítico deve estar cada vez mais apurado e com lugar cativo na agenda das grandes questões nacionais.
Em latitude, não há como nem porquê atribuir à campanha, o selo de algo totalmente novo, porquanto, ela pode ser percebida como a “ressurreição” do programa de promoção e resgate dos valores morais e cívicos na sociedade angolana, coisa que já tem um largo tempo de existência e convivência no nosso mosaico sócio-político.
A necessidade de envolvimento das organizações da sociedade civil, igrejas, universidades, em prol da eliminação de todos os actos que lesem o Estado assenta no princípio do que a doutrina estabelece para a “Moral”, apresentada como uma ordem de consciência para o bem, dividida em “Moral individual” e “Moral Social ou Positiva”, em que a primeira é definida como o conjunto dos imperativos impostos aos indivíduos pela sua própria consciência ética, e a segunda, a de ser o conjunto de imperativos que correspondem às ideias e sentimentos dominantes na colectividade.
Logo, mais do que todos os fundamentos que delimitam o objectivo da campanha a nível do programa de um partido, toda ela deve estar subjacente à conduta que os seres humanos devem adoptar e respeitar, em função da sua própria consciência, e segundo as quais, os actos são bons ou maus, podendo estas normas serem reconhecidas em geral ou apenas por um determinado grupo humano.
À comunicação social, pública ou privada, está reservado um papel de substancial relevância, pela sua função sócio-formativa que, aliás, é um dos vértices da tríplice tradicional missão, “informar, formar e recrear”, e, desde logo, pelo valor da causa, o melhor que se pode augurar é o sentimento patriótico, do qual a vitória é saborosa para todos.

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