Opinião

África continua a ser alvo nas redes sociais

Víctor Carvalho

As redes sociais continuam a ser um meio cada vez utilizado para os mais variados ataques contra o continente africano desferidos por diversas organizações internacionais, que não olham a meios para atingir os seus objectivos.

Felizmente, os responsáveis por algumas dessas plataformas sociais começam a ter a sensibilidade para agir de modo a fazer com que África fique melhor protegida dessas ofensivas que visam, na esmagadora maioria das vezes, criar o caos e a instabilidade nos diferentes países do continente.
O Facebook, acaba agora de anunciar ter encerrado 265 contas falsas criadas por uma empresa israelita destinadas a postar informações falsas, na sua maioria da esfera política, para influenciar as eleições em diversos países.
Entre os países africanos visados pelas falsas contas criadas por essa empresa israelita estão Angola, Nigéria, Senegal, Togo, Níger e Tunísia, além de outros da América Latina e da Ásia.
No caso concreto dos países africanos, a disseminação das notícias acompanhada de um propositado amplo espaço para comentários, onde perfis falsos criavam depois uma determinada tendência para influenciar a opinião dos internautas que a elas tinham acesso, camuflando desse modo uma “fake news” para que ela se apresentasse como real, sem se saber objectivamente qual a sua origem.
Depois, com alguns desses internautas e partilharem essas notícias, assumindo inadvertidamente a responsabilidade da sua autoria, ficava criado um cenário que os especialistas consideram capaz de influenciar o sentido de voto de milhões de eleitores indecisos.
O Facebook calcula que os criadores de “contas fantasmas” tenham pago, entre Dezembro de 2012 e Abril de 2019, o equivalente a cerca de 812 mil dólares, na sua maioria nas moedas nacionais de Israel, Brasil e Estados Unidos.
O mesmo Facebook e a Google, proprietária da You Tube, juntaram-se entretanto à Microsoft, Amazon, Twitter e Daily Motion, para a criação de mecanismos adequados capazes de desviar os utilizadores das suas redes do acesso a conteúdos suspeitos de violarem as legislações internacionais já existentes sobre notícias falsas ou de apelo ao terrorismo.
Esta decisão surgiu na sequência de um apelo recentemente lançado pela Primeira-Ministra da Nova Zelândia, a senhora Jacinda Ardern, e pelo Presidente francês, Emmanuel Macron.
O denominado “Apelo de Christchurch”, que já foi subscrito também por 17 países da União Europeia, visa combater a propagação pelas redes sociais de conteúdos online terroristas e extremistas através da difusão de imagens ou mensagens que apelem ao ódio.
Esta iniciativa, que arrancou no passado dia 15 quando se assinalavam dois meses desde o atentado terrorista que matou 51 muçulmanos numa igreja na cidade neo-zelandesa de Christchurch (daí o nome do apelo), visa impedir que, como sucedeu na altura, esses actos possam ser transmitidos em directo através das redes sociais.
Nessa ocasião, o autor do atentado estava munido de uma pequena câmara colocada numa ligadura à volta da sua cabeça e que transmitiu em directo tudo o que se estava a passar, apesar da conta usada pelo agressor estar anteriormente referenciada como pertencendo a um extremista violento.
Depois do ataque, o Facebook tentou por mais de um milhão de vezes remover o vídeo, mas ele era reposto a cada segundo através da gravação que havia sido feita no YouTube. Esta engenharia, porém, deixa de poder ser feita quando o acordo agora obtido entrar em vigor.
Mas, apesar de toda a boa vontade, existe a consciência de que a tarefa não é fácil, pois todos sabem quanto é difícil apagar conteúdos que estão a ser colocados online em tempo real.
Para complicar ainda mais a situação, a legislação europeia em relação às redes sociais, não é uniforme pelo que a colocação de determinada matéria online poder ser mais fácil de fazer num país do que no outro.
Para tentar criar alguma uniformização no tratamento destes temas e para sensibilizar as diferentes empresas do sector, Emmanuel Macron convidou há dias para um jantar no Eliseu 180 responsáveis das grandes empresas de tecnologia, que participavam num fórum internacional realizado em Paris.
No final do jantar, o Eliseu emitiu uma nota onde disse que o Presidente recebeu a promessa de que medidas irão ser tomadas para tornar as redes sociais “mais amigas da verdade” e menos propícias à influência oportunista de quem aposta na mentira como arma política.
Resta agora aguardar pela resposta que será certamente dada pelas centrais que coordenam à distância de um clique a chamada “dark net”, para se ver quem sai a ganhar em mais este braço-de-ferro entre o mal e o bem.

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